Presos de 2º DP mostram a rotina da crise carcerária
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quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Lúcio Horta 
Londrina
Ala femininaPresas no 2º Distrito Policial: reclamações e desentendimentos entre companheiras de celaAqui está tão cheio que a gente tem que dormir até no boi, disse ontem pela manhã um preso do 2º Distrito Policial de Londrina. Boi, ele explica, é o minúsculo banheiro que faz parte da cela. Com capacidade para quatro detentos, a cela abrigava o dobro. Mas já teve dia que aqui ficam doze presos, todos amontoados, conta. A capacidade total do distrito é para apenas 24 presos, mas a semana começou com mais de 70 pessoas nas celas. Do jeito que estava ontem, eles diziam, nem todo mundo conseguia dormir deitado: em sistema de escala, um sempre tinha que ficar em pé durante períodos da noite.
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A situação do 2º DP reflete a crise carcerária pela qual passam os quatro distritos de Londrina, que esta semana, terça-feira, bateram o recorde de número de presos: 205, quando o ideal seriam no máximo 104. Ontem, por volta das 13 horas, novo recorde: 206. Por causa da superlotação, existe uma grande dificuldade para coisas simples, como por exemplo levar o preso ao pátio para tomar sol. No momento, isso acontece apenas uma vez por semana, quando muito, no dia de visitas. Nos outros dias eles têm que ficar sentados na cela apertada, passando o tempo sem fazer nada, um olhando para a cara do outro.
Aqui não dá nem para circular. Durante o dia fico sentado: é comer, dormir, e comer. Médico não tem, remédio a família tem que trazer. Quando a gente pede um, para quem precisa, está doente, eles falam em dar um bonde, na gente, diz outro preso. Bonde é transferir o detento para um outro distrito em situação ainda pior. A falta do Sol a gente até supera. O duro mesmo é a superlotação.
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No setor feminino, também no 2º DP, a situação não é diferente. As detentas podem ficar transitando na área de corredor, em frente às celas, mas o aperto é sufocante. Elas aproveitam o espaço fora das celas para amontoar colchões e tentar dormir com um pouco mais de conforto. Reclamam de tudo: da comida que chega gelada, da água que só aparece à noite, do sol que só vêem de vez em quando, da dificuldade de se conseguir um médico, de um advogado que não aparece, da norma que estabelece visita uma só vez por semana.
Estamos abandonadas, sentencia uma detenta. Tenho um filho, que sofreu um acidente, e fico aqui, engordando à toa. Ela conta que não é raro que os desentendimentos entre colegas de cela virem brigas. Já teve gente que levou até estocada, este tipo de coisa.
Os presos também reclamam da morosidade da Justiça, que mantém presos em condições de receber liberdade condicional nos distritos, com processos que se arrastam por muito tempo. Além do mais - dizem - qualquer infração é motivo para a pessoa ficar na Cadeia. Tem gente que não roubou nada, ou levou duas cervejinhas só, e está aqui há vários meses, sem solução, dizia outro detento. Ele conta que foi preso quando tentava furtar comida em um supermercado, e levar para casa.


