Já no primeiro dia de trabalho, novos agentes carcerários contratados para reforçar a segurança nos distritos policiais de Londrina tiveram uma noção do que terão de enfrentar. Ao fazer uma revista de rotina no 4º DP (Zona Sul), anteontem, os funcionários descobriram um buraco que começava a ser cavado pelos detentos. Ontem, a operação ''pente-fino'' teve de ser repetida.
A preparação para fuga foi constatada apenas uma semana após a rebelião que em que todas as celas foram destruídas e quatro presos foram espancados, na mesma unidade. De acordo com o delegado Jairo Luiz Duarte de Camargo, os reparos nas instalações haviam sido concluídos na semana passada. ''Felizmente, descobrimos essa perfuração na laje bem no início. Por causa disso, tivemos que fazer nova revista hoje (ontem)'', colocou.
Camargo comentou que já é possível perceber uma melhora na qualidade das revistas, já que os agentes carcerários têm experiência na área. Eles encontraram várias barras de ferro arrancadas da própria estrutura interna e um cachimbo para consumo de crack. Segundo o delegado, as tentativas de fuga são tão comuns na rotina do distrito que ''quase todo dia'' é preciso tapar algum buraco nas celas.
Se a ânsia de sair da prisão já era grande, aumentou com as punições impostas em razão da última rebelião. Por determinação da Vara de Execuções Penais (VEP), os detentos - 101 para 24 vagas até ontem - devem ficar 30 dias sem visitas e 20 dias sem banho de sol. ''Os familiares aceitaram bem, mas os presos estão reclamando bastante. Eles ameaçam os plantonistas e os novos agentes também'', disse Camargo. Quatro detentos do 4º DP que já ''deram trabalho'' em outras unidades estão sendo investigados, suspeitos de orquestrar motins e planejar fugas.

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