Em abaixo-assinado datado de 17 de abril enviado à Corregedoria de Londrina na última sexta-feira, um grupo de 160 detentos da Prisão Provisória de Londrina (PPL) afirmam que policiais do Pelotão de Choque ligados ao 5º Batalhão da Polícia Militar teriam humilhado, agredido e ameaçado um grupo de 14 presos, durante a blitz geral mensal. No material, enviado também à Redação da Folha, os detentos solicitam o cumprimento dos direitos humanos e pedem garantias de integridade física e moral.
No documento, os presos relatam que os policiais teriam usado de abuso de autoridade e de força brutal física contra pessoas nuas e desarmadas. Ainda segundo o relato dos presos, um dos agredidos estaria em ‘‘convalescença cirúrgica’’.‘‘Requeremos que esse juiz se digne em fazer cessar esses abusos e que em conjunto com o Ministério Público apure as responsabilidades... e instaure sindicância administrativa, já que o delegado de polícia e seus agentes foram coniventes e omissos, participando ativamente pelo seu silêncio e por assistirem a tudo’’. Eles ainda teriam sido coagidos a gritarem palavras de ordem como ‘‘Nós amamos a Rone (Rondas Ostensivas de Natureza Especial)’’ e ‘‘Viva a Rone’’.
O juiz corregedor, Roberto Ferreira do Valle, confirmou que recebeu o documento dos presos na tarde de sexta-feira e que iria encaminhar a denúncia ao Comando da PM e ao Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDH). Ele explicou que, normalmente, somente homens do Pelotão de Choque têm permissão para entrar na prisão e não a Rone. ‘‘Que eu saiba, a Rone nunca entrou na PPL’’, avaliou. A entrada do Choque é permitida em casos de tumulto entre os detentos. Valle estabeleceu um prazo entre três e quatro meses para apurar a denúncia.
O comandante do 5º Batalhão da PM, tenente-coronel Robenson Máximo Fim, garantiu que a Rone não entrou no presídio e que a tropa de choque só entra mediante solicitação e acompanhada por agentes da PPL. Por outro lado, disse que não havia recebido (até a tarde de ontem) nenhuma denúncia formal. Segundo o tenente-coronel, dependendo das circunstâncias trazidas pelo documento poderá ser instaurada sindicância ou inquérito policial-militar.
Já o diretor da PPL, delegado João Aquino de Almeida, afirmou que depois que assumiu a prisão, há 40 dias, o Pelotão de Choque foi solicitado uma única vez, por ocasião de uma tentativa de fuga há cerca de 20 dias. De acordo com Almeida, a revista é feita pelos seus 24 agentes e o Pelotão de Choque atua garantindo a segurança e plenas condições de trabalho a seus subordinados. Ele informou que a cadeia abrigava 184 detentos ontem, ‘‘todos de alta periculosidade’’, sendo maioria os ainda não condenados.
Denúncias como essa não são novas precisou a coordenação do CDH, sem dar mais detalhes. O Centro de Direitos Humanos informou que o assunto deveria ser discutido ontem à noite, numa reunião entre os membros da entidade.

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