Cinco presos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) foram batizados ontem por líderes religiosos da Igreja Assembléia de Deus. O batismo por imersão (dentro d’água) foi realizado no pátio da PEL, acompanhado por alguns obreiros da igreja e diversos policiais, precavidos contra ‘‘oportunistas’’.
Dos 360 presos da PEL, cerca de 20% já são convertidos ao evangelismo. Destes, segundo agentes penitenciários, apenas 10% continuam o processo de santificação depois que cumprem a pena. ‘‘A maioria aproveita a situação e a fachada de convertido para tentar amenizar a pena ou conseguir a confiança dos policiais’’, disse o agente penitenciário Roberto Cristovam.
Mesmo assim, o trabalho evangelístico continua intenso entre os penitenciários. ‘‘Todo ser humano precisa de uma chance e somente pelo sangue de Jesus é que o detento consegue ter a libertação da alma e com isso a dignidade de recomeçar a caminhada’’, disse Ademir dos Santos Paiva, um dos coordenadores do projeto evangelístico na PEL, membro da Assembléia de Deus.
Segundo ele a Igreja trabalha com os detentos todos os sábados. Durante a semana, os próprios presos se reúem para estudar a Bíblia e orar. ‘‘Só temos certeza de 100% da conversão do detento quando ele se restitui na sociedade, onde é o local mais difícil de testemunhar o que aprenderam’’, comentou o pastor. Para o agente penitenciário, José Luiz Cartolari, mesmo que alguns sejam ‘‘pseudos convertidos’’ enquanto estão presos, mostram-se mais disciplinados. ‘‘É notória a diferença de comportamento e disciplina’’, disse.
Para os presos, a conversão significa nascer de novo. ‘‘Uma nova vida, um novo homem, uma nova pessoa. Só por Jesus é que podemos ser transformado’’, disse o preso Gilson Amâncio Calado, 22 anos, condenado há 16 anos por homicídio. Entre os presos batizados ontem o mais velho é Benedito Anastácio, 66 anos, condenado por homicídio, com pena de 9 anos. Apesar da idade Anastácio diz sentir-se uma criança. ‘‘Este mergulho (batismo) foi porque Deus me permitiu nascer de novo, o que os homens não fariam’’, ressaltou. Também foram batizados Paulo Cresses e Devanir Koslik, condenados por estupro e José dos Santos, por assalto.

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