Presos da Penitenciária são batizados
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de julho de 1998
Luciane Tonon 
Cinco presos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) foram batizados ontem por líderes religiosos da Igreja Assembléia de Deus. O batismo por imersão (dentro dágua) foi realizado no pátio da PEL, acompanhado por alguns obreiros da igreja e diversos policiais, precavidos contra oportunistas.
Dos 360 presos da PEL, cerca de 20% já são convertidos ao evangelismo. Destes, segundo agentes penitenciários, apenas 10% continuam o processo de santificação depois que cumprem a pena. A maioria aproveita a situação e a fachada de convertido para tentar amenizar a pena ou conseguir a confiança dos policiais, disse o agente penitenciário Roberto Cristovam.
Mesmo assim, o trabalho evangelístico continua intenso entre os penitenciários. Todo ser humano precisa de uma chance e somente pelo sangue de Jesus é que o detento consegue ter a libertação da alma e com isso a dignidade de recomeçar a caminhada, disse Ademir dos Santos Paiva, um dos coordenadores do projeto evangelístico na PEL, membro da Assembléia de Deus.
Segundo ele a Igreja trabalha com os detentos todos os sábados. Durante a semana, os próprios presos se reúem para estudar a Bíblia e orar. Só temos certeza de 100% da conversão do detento quando ele se restitui na sociedade, onde é o local mais difícil de testemunhar o que aprenderam, comentou o pastor. Para o agente penitenciário, José Luiz Cartolari, mesmo que alguns sejam pseudos convertidos enquanto estão presos, mostram-se mais disciplinados. É notória a diferença de comportamento e disciplina, disse.
Para os presos, a conversão significa nascer de novo. Uma nova vida, um novo homem, uma nova pessoa. Só por Jesus é que podemos ser transformado, disse o preso Gilson Amâncio Calado, 22 anos, condenado há 16 anos por homicídio. Entre os presos batizados ontem o mais velho é Benedito Anastácio, 66 anos, condenado por homicídio, com pena de 9 anos. Apesar da idade Anastácio diz sentir-se uma criança. Este mergulho (batismo) foi porque Deus me permitiu nascer de novo, o que os homens não fariam, ressaltou. Também foram batizados Paulo Cresses e Devanir Koslik, condenados por estupro e José dos Santos, por assalto.


