''Catatau'', uma gíria dos presos para identificar bilhetes escritos em pedaços de papel com pedidos de cuidados médicos, orientação jurídica, apoio psicológico e assistência social, agora também é o nome de um informativo interno da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) para orientar os detentos sobre doenças sexualmente transmissíveis (DST) e uso de drogas. Lançada ontem pela Comissão Interna de Saúde, a publicação foi produzida pelos presos, que escolheram o nome, a programação visual e o conteúdo das informações.
A coordenadora da Comissão de Saúde, Cíntia Helena Santos, diz que a iniciativa faz parte do projeto Redução de Danos, que tem como objetivo o exercício da cidadania, acesso aos direitos humanos e também a inserção social dos detentos. O programa é realizado em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Londrinense Interdiscipinar de Aids (Alia). O Catatau será distribuído para todas as unidades penitenciárias do Paraná, chegando a cerca de 10 mil presos.
Cíntia Santos informa que a Comissão Interna de Saúde funciona desde 1996. Já o projeto Redução de Danos é mais recente, criado há dois anos, para prevenção do uso de drogas e tratamento de usuários. ''Realizamos oficinas para os funcionários e detentos e localizamos monitores entre os internos, para auxiliarem nos trabalhos'', afirma. A comissão é formada por voluntários e detentos, que são capacitados para trabalhar com os demais presos. Segundo a coordenadora, a atividade de monitoria melhora a auto-estima dos participantes. ''É gratificante para eles, que passam a escolher coisas para a vida deles e para a dos outros companheiros''.
Elizeu Ribeiro, preso há cinco anos, é um dos monitores e considera muito valioso participar do projeto. ''Me sinto responsável, além de obter mais conhecimento'', destaca. Ele conta que, depois de conversas com os presos, as doenças sexualmente transmissíves foram definidas como o tema mais importante para o informativo Catatau.
Para elaborar novas edições do Catatau, Cíntia Santos diz que está negociando a liberação de recursos junto ao Ministério da Saúde e governo do Estado.

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