Lúcio Horta
De Londrina
‘‘É difícil dizer que aqui é bom. Mas, para mim, por mais ruim que esteja o local, a gente tem que tentar melhorá-lo. Tem que tentar viver melhor.’’ A frase é do detento José Fidêncio Leonel, 50 anos, um dos 360 presos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Ontem de manhã, na abertura da Semana do Encarcerado, ele lançou o livro ‘‘O Sol no Horizonte’’, onde relata as experiências que vem acumulando nos cinco anos que ficou atrás das grades. ‘‘É o que eu vi, conheci e convivi dentro do presídio.’’
O lançamento do livro foi apenas uma das atividades promovidas na semana. Até o dia 13, quando se comemora o Dia do Encarcerado, os presos vão participar de campeonatos de futebol de salão, malha, apresentações musicais e trabalhos religiosos. Ontem de manhã também teve a premiação de um concurso de pintura e um café da manhã produzido pelos próprios presos.
‘‘O objetivo da semana é mostrar o convívio entre os presos e também o trabalho que eles desenvolvem para a coletividade’’, disse o diretor-geral da PEL, Dyson Ferreira de Pinho. Entre esses trabalhos, ele informa, estão a fábrica de bolas, o canteiro para preparação de móveis, o canteiro de preparação de calças jeans e a produção de artesanato.
O diretor comenta que 190 dos 360 presos da PEL trabalham nesses projetos. Além de uma porcentagem nos lucros, os detentos também ganham um dia menos na pena para cada três dias trabalhados. ‘‘A idéia é expandir ainda mais esse trabalho’’, aponta.
Quem também estava bastante feliz com a semana era o detento Ricardo Donizete Cassela, 21 anos, vencedor do concurso de pintura. ‘‘O tema era livre e pintei um castelo. Achei muito interessante participar. É a oportunidade de mostrar o trabalho que a gente faz e também melhorar o relacionamento que existe entre a gente. Vale a pena’’, disse ele, que já pinta há quase cinco anos.
Muito do trabalho desenvolvido na PEL só é possível graças à ação desenvolvida pela Pastoral Carcerária, da Arquidiocese de Londrina. Foi a Pastoral, por exemplo, que doou os materiais para que os presos pudessem participar do concurso de pintura. José de Assis Lebrão, tesoureiro da entidade, lembrou ontem que 30 voluntários estão empenhados no serviço, ajudando não só os presos como também as famílias de cada um. ‘‘O objetivo é devolver ao preso a dignidade’’, explica.
Serviço: O livro ‘‘O Sol no Horizonte’’, de José Fidêncio Leonel, pode ser adquirido na Livraria do Centro Espírita Nosso Lar (Rua Santa Catarina, 429), Livraria Livros e Livros (Rua Pará, 776) e na Catedral de Londrina. O preço é R$ 10,00.Exposição de trabalhos feitos pelos detentos e atividades recreativas integram Semana do Encarcerado
Josoé de CarvalhoPARTICIPAÇÃORicardo Cassela, vencedor do concurso de pintura: ‘‘Oportunidade de mostrar o trabalho que a gente faz’’

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