Presos da PEL iniciam aulas de trânsito
Telma Elorza
De Londrina
A primeira turma do curso inédito de formação de condutores de automóveis da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) começou a ter aulas ontem de manhã. Durante três dias, 30 presos de bom comportamento e às vésperas de conseguir liberdade estarão estudando legislação de trânsito, direção defensiva, primeiros-socorros, mecânica básica, meio ambiente e cidadania. O curso faz parte de uma série de projetos educacionais da Escola Estadual Manoel Machado, que funciona dentro do presídio há sete anos.
Segundo a coordenadora do curso, a professora Joana DArc Martins Lopes, as aulas terão a supervisão do Centro de Formação de Condutores empresa que reúne 16 auto-escolas londrinenses , com material didático fornecido pelo Departamento de Trânsito (Detran) e Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), sem nenhum ônus para a PEL. Nosso objetivo é estar sempre oferecendo cursos que preparem o preso para a sua volta à sociedade, depois de cumprida a pena, explicou. Segundo ela, dos 364 presos da PEL, 264 são alunos da Escola Estadual Manoel Machado. Além do ensino regular, nós trabalhamos também a ressociabilização do preso, para que ele possa se reintegrar à sociedade de forma digna, explicou.
De acordo com Joana Lopes, o interesse pelo curso de formação de condutores foi muito grande. Para esta primeira turma, fizemos uma seleção entre os alunos da escola de bom comportamento e os mais próximos de conseguir a liberdade. Mas temos mais 40 alunos inscritos e, assim que for possível, estaremos abrindo nova turma, disse. Segundo ela, vários presos que integram a primeira turma já tem carteira de habilitação. São aqueles que querem mudar de categoria ou renovar a carteira. A maioria, porém, estará tendo acesso pela primeira vez à legislação de trânsito, afirmou.
É o caso de Heraldo Aparecido Batista, 26 anos, que cumpre pena há um ano na PEL por tráfico de drogas. Ele já sabia dirigir mas nunca foi habilitado. Para Aparecido Batista, esta é uma oportunidade única. É caro fazer um curso destes. E, assim que sair daqui, no começo do ano que vem, vou atrás de tirar minha carteira. Talvez seja mais fácil arrumar emprego depois, disse.
Segundo o diretor da PEL, Dyson Ferreira de Pinho, cursos deste tipo são extremamente necessários, principalmente dentro da realidade da prisão. Ajuda a preparar o indíviduo interno para enfrentar o dia-a-dia lá fora. Se houver condições do interno ganhar seu pão, é fácil sua reintegração, apontou.
Esta opinião é compartilhada pelo preso Derli Ferreira de Oliveira, 38 anos, preso há 12 anos por assalto e tráfico de drogas. Ele diz que procura fazer todos os cursos que pode. Eu já fiz o de informática básica, um de torneiro mecânico, dois de garçon e agora vou fazer este, embora seja habilitado. A minha idéia é mudar de categoria, conseguir uma carteira profissional, explicou. Segundo Oliveira, sua intenção é não voltar ao mundo do crime. Tenho filhos de 15 e 9 anos, que estão aí na rua e precisam da minha ajuda. Quem sabe, com todo este preparo, eu consiga dar uma vida digna para eles, disse, esperançoso.
A aula inaugural teve a presença do diretor-geral da PEL, Dyson Ferreira de Pinho; da chefe do Núcleo Regional de Educação, Maria Genoveva Belluci, e da diretora da escola, Maria Aparecida Paulino, além de vários membros do corpo docente. Do ponto de vista teórico, os presos sairão daqui aptos a serem aprovados no exame do Detran, garante a professora Joana Lopes.Programa contempla na primeira turma trinta detentos de bom comportamento que estão para receber a liberdade
Fotos Mário CesarINTERESSEO início das aulas de trânsito para detentos da PEL, ontem: 30 inscritos e mais 40 na fila de esperaDerli Ferreira de Oliveira: A minha idéia é mudar de categoria





