Presos da PEL fazem mapa para fuga em massa
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quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Durante uma varredura realizada anteontem em todas as galerias da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), na Zona Sul, os agentes penitenciários conseguiram desmontar um audacioso plano de fuga em massa. Numa das celas da galeria 7, a mais perigosa da unidade por abrigar presos ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), foi descoberto e apreendido um mapa detalhado da prisão e dos arredores. A intenção, conforme indica um apontamento escrito no verso do desenho, era de até dopar funcionários.
Além do mapa, o diretor da PEL, Raimundo Hiroshi Kitanishi, mostrou que foram encontrados também dois celulares e um carregador. Num deles, havia chamadas para telefones de Cáceres (MT) e Campo Grande (MS). Além dos aparelhos, também foram recolhidos pedaços de cimento e massa tipo ''epox'' que os presos usariam para camuflar estoques e os celulares nas paredes para dificultar que fossem localizados. Pelo menos 30 dos 580 presos podem ter algum tipo de envolvimento com os achados.
O mapa, especificamente, foi encontrado no ''xadrez'' 710 que era ocupado por seis presos - alguns dos quais ligados ao PCC. Feito com folhas de cadernos coladas umas as outras, o documento detalhava com minúcias toda a unidade e também a localização de ruas e casas vizinhas. Indicava até que a parte que fica nos fundos do 5º Batalhão da Polícia Militar não poderia ser acessada rapidamente pelos policiais. O desenho apontava também por onde e como o preso Henrique Rodrigues dos Santos, 30 anos, conseguiu fugir da penitenciária no início de setembro.
No verso do mapa, havia uma inscrição que dava a entender que a idéia dos envolvidos era introduzir um remédio líquido na unidade que seria colocado na comida para dopar agentes. ''Na sétima galeria é onde estão concentrados os internos mais problemáticos da unidade e alguns membros do PCC'', destacou Kitanishi.
O diretor acredita que o mapa seria usada para uma fuga de dentro para fora, mas, se saísse da unidade, as informações nela contidas poderiam ajudar a planejar ações externas para resgatar presos. Os internos envolvidos foram isolados e já estão respondendo a processos disciplinares. Kitanishi disse não acreditar no envolvimento de funcionários mas essa hipótese não foi descartada. O diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Ademildo Passos Correia, também avaliou que a participação de servidores é improvável, embora não seja impossível. ''O importante é que graças ao bom trabalho dos agentes obtivemos êxito'', destacou.
A Folha apurou que a tensão na carceragem aumentou bastante nos últimos meses em virtude de mudanças feitas, tais como: as visitas de crianças que antes eram semanais passaram a ser permitidas apenas uma vez ao mês; o dinheiro dado por familiares aos internos passou a ficar retido com a direção; a entrada de alimentação trazida pela família também foi restringida; e até mesmo a possibilidade de transferência dos presos para o novo Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) mexeu com os ânimos. Para piorar, o número de agentes trabalhando caiu de mais de 20 para cerca de 15 por plantão com as alterações feitas nos turnos - passaram de 24 por 48 horas para 12 por 36 horas.


