Presos da PEL denunciam espancamento
Quatro presos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) declararam ontem a representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH), que eles e 18 companheiros foram espancados na quinta-feira de manhã por duas equipes de agentes penintenciários. A agressão teria acontecido depois de uma revista, quando os agentes teriam encontrado estoques dentro de três celas. Alexandre Gonçalves de Souza, Wilson da Silva, Marcelo Pires e Rodrigo Dogado contaram que os quatro presos mais feridos foram transferidos para a Penitenciária Estadual de Maringá. Segundo os advogados do CDH, Souza e Silva estavam com os joelhos e tornozelos inchados. O agente penitenciário Gilson Leonel teria sido o único ferido.
Segundo Jorge Custódio Ferreira, advogado do CDH, e Gelson Gil, da Comissão Carcerária, os internos relataram que os agentes teriam usado de violência quando entaram nas celas. De acordo com as declaração dos presos, os agentes suspeitaram de um plano de rebelião. Os presos, porém, negaram qualquer tipo de reação. Os representantes do CDH, que entraram na PEL com autorização judicial, vão encaminhar ainda hoje ao juiz corregedor de presídios, Roberto do Valle, um pedido de exame de lesões corporais. Jorge Custódio Ferreira disse que já informou ao Centro de Direitos Humanos de Maringá sobre a transferência de presos supostamente feridos e solicitou providências.
Maria Aparecida da Silva, 62 anos, mãe de Wilson da Silva, 23 anos, disse que foi avisada da agressão no domingo, por um telefonema anônimo. Ela acredita que deve haver algum problema, já que não conseguiu permissão para visitar o filho. Maria Aparecida comentou que no telefonema informaram que o filho teria sido mordido por cachorros. Meu filho já está pagando pelo crime que cometeu (homicídio). Não posso concordar com pancada, é uma covardia, indignou-se.
A mulher do preso Genivaldo Barbosa de Lima, 24 anos, contou que o marido foi para Maringá. Não me deixaram vê-lo. Falaram para eu voltar daqui a 15 dias, relatou sem querer se identificar. Ela disse que ficou sabendo que o marido tem muitos hematomas e foi mordido por cachorros.
O diretor em exercício da PEL, Manoel Gonçalves Neto, negou que tenha havido violência. Houve um confronto, nada além do normal, garantiu. Ele argumentou que a ação foi necessária para salvaguardar a segurança da unidade. De acordo com o diretor do presídio, não há ninguém muito machucado ou quebrado. Os quatro presos que foram para Maringá estariam mais exaltados e, conforme Gonçalves, foi preciso afastá-los do convívio com os demais internos. O diretor afirmou que não vai tomar nenhuma medida administrativa sem que haja comprovação da violência. Vamos esperar o trancorrer dos próximos dias, disse.





