Curitiba - Oito pessoas foram presas e outras três tiveram prisão preventiva decretada desde que começaram as investigações da Delegacia de Almirante Tamandaré, que levaram ao desmanche de uma central telefônica clandestina, anteontem. As investigações dão conta de que a quadrilha que está sendo desvendada é monitorada por integrantes das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Primeiro Comando do Paraná (PCP), que estão presos na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara (região metropolitana) e em penitenciárias de Mato Grosso e São Paulo.
Segundo o delegado titular da delegacia de Almirante Tamandaré, Germino Marques Bonfim Filho, pelo menos oito assaltos já foram praticados por essa mesma quadrilha desde o último dia 5 de junho. Eles se comunicavam pela central telefônica, que estava instalada na Fazendinha, periferia de Curitiba. ‘‘Sabemos que 10% do dinheiro arrecadado com os assaltos era destinado para manutenção da quadrilha, para comprar de drogas e armas’’, disse.
As investigações começaram depois que Vander de Jesus Correa foi preso após assaltar o Supermercado Boni, em Santa Felicidade. Por esse assalto, também foram detidos o menor M.R., de 17 anos, Robson Natal e Cleber dos Santos Correa. Há três dias a polícia também prendeu o casal de traficantes Silvia Maria da Silva e Carlos Alberto Sales da Silva e ontem os assaltantes Paulo Sérgio Picchi e Márcio Júnior França também foram presos, acusados de participação no assalto ao supermercado. Todos os detidos são suspeitos de fazer parte da quadrilha monitorada pela central telefônica.
A central funcionava em uma casa simples na Rua Aristides Borsato, 75. A moradora da casa, Rosângela Albino, prestou depoimento e teve sua prisão preventiva decretada ontem. Ela seria namorada de Fábio Carlos Martins, conhecido como Meia-Noite e apontado como líder do PCC no Estado.
Na casa dela, foram encontrados duas linhas comerciais e três telefones celulares utilizados para fazer contatos com presos da PCE, cartas que comprovam a relação dela com presidiários, agendas com nomes de presos de outros estados e de uma advogada paulista identificada como Rúbia, que já está sendo procurada pela polícia acusada de promover a ligação interestadual dos criminosos. ‘‘O objetivo dessa central era despitar a polícia paulista nas conversas realizadas entre integrantes do PCC em Saõ Paulo e Mato Grosso com o Paranᒒ, explicou o delegado.
O coordenador do Departamento Penitenciário do Estado (Depen) Divonzir Taborda Mafra disse ontem que a PCE vai tentar obter autorização judicial para realizar a vistoria de toque nas mulheres que visitam os presidiários da penitenciária estadual. Segundo ele, apesar das revistas, as mulheres conseguem introduzir o celular no órgão genital, passam pela revista e entregam os aparelhos para os detidos.

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