Cerca de 100 internos da Colônia Penal Agrícola, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, lideraram ontem uma manifestação pedindo agilidade nos processos judiciais e cordialidade no relacionamento entre agentes penitenciários e detentos. A paralisação das atividades externas dos detentos durou a manhã inteira e foi uma extensão do motim iniciado no final da tarde de domingo, quando 42 internos fugiram depois de queimar o almoxarifado, setores técnicos e parte dos alojamentos. Treze viaturas da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) foram até o local para acompanhar as negociações entre uma comissão formada por 11 presos e a diretoria da Colônia Penal.
No final da manhã, os presos foram conversar com a imprensa e com algumas mulheres que aguardavam do lado de fora para saber notícias dos maridos. O preso Carlos de Deus liderou as negociações. De acordo com ele, a rebelião poderia ter sido evitada se os processos fossem agilizados. ‘‘Há 40 dias os presos estavam avisando sobre a nossa situação, mas nada foi feito. Queremos que a Vara de Execuções Penais faça agora o que nunca fez. Reveja os nossos processos e coloque em liberdade quem tem direitos’’, declarou o interno, que está há 16 anos no sistema penitenciário.
Outro detento, Francisco Jessé, 37 anos, que já cumpriu sete anos de pena, disse que a greve foi feita para que as reivindicações antigas fossem cumpridas. ‘‘Nossa manifestação foi cordial, pacífica’’, afirmou ele, ao criticar a ação de um agente penitenciário no final da tarde de domingo, que teria agredido um preso. ‘‘Teríamos esperado para fazer novas reivindicações se um funcionário da Colônia Penal não tivesse sido negligente. Queremos cordialidade. Estamos entre pessoas adultas’’, declarou. Os presos dizem que a rebelião teria iniciado porque um funcionário, desconfiando, teria enforcado um detento até deixá-lo desacordado. Os demais teriam reagido.
As informações oficiais são diferentes. De acordo com o coordenador do Departamento Penitenciário, Pedro Marcondes, que assumiu o cargo na semana passada, o relatório do agente penitenciário diz que o interno foi flagrado com maconha e tentou engolir a droga. Ele teria se afogado com a droga, sendo salvo pelo agente e encaminhado para tratamento médico. ‘‘De qualquer forma, vamos investigar se houve qualquer tipo de abuso’’, declarou ele. A unidade tem atualmente 854 internos.

mockup