Presos da CCL relatam maus tratos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de junho de 2002
Luciano Augusto<BR>Reportagem Local 
Dos 320 envelopes lacrados que foram entregues aos presos da Casa de Custódia de Londrina (CCL) pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, 224 foram devolvidos. Nas cartas, os presos descreveram casos de maus tratos e espancamentos promovidos por agentes de disciplina e reclamaram da falta de cigarros, que estaria aumentando a tensão e a irritabilidade entre os detentos.
O juiz disse ontem que leu os relatos dos presos e na quinta-feira reviu a medida antitabagista, considerada inconstitucional. A decisão foi tomada depois de um questionamento feito pelo advogado Marco Antonio Busto, que advoga para um detento da CCL. Os presos, agora, já podem fumar no presídio e acreditam que, com isso, o clima dentro da CCL ficará melhor.
Quanto às reclamações que envolvem os agentes de disciplinas, homens contratados para vigiarem os presos, Valle determinou que todos os citados sejam identificados e afastados temporariamente das suas funções na carceragem. As cartas apontam sete ou oito nomes de agentes, revelou o juiz.
Ele garantiu que fará a apuração das reclamações mas adiantou que terá dificuldades. São fatos que aconteceram há um certo tempo, comentou. O juiz afirmou que os relatos de agora foram juntados a um processo aberto em abril deste ano, que também apura denúncias da mesma natureza. Em março, a Comissão de Direitos Humanos denunciou à Polícia Federal a prática de tortura contra três presos.
A prisão, inaugurada há pouco mais de seis meses, é administrada por uma empresa privada. Além das denúncias de violência contra presos, a Casa de Custódia já registrou uma fuga e um motim. A direção da CCL foi procurada pela reportagem mas o diretor Edson Marcos Tomaz deverá se pronunciar somente na segunda-feira.


