Presos cuidam da delegacia de Castro
FORA DA LEI
Presos cuidam da delegacia de Castro
Há aproximadamente 15 dias, três presos estão tomando conta dos outros 24 detentos da delegacia de Castro (41 quilômetros ao norte de Ponta Grossa). O delegado regional Mário Luiz Machado, que atende os municípios de Castro, Carambeí e Piraí do Sul, afirmou que tomou a decisão por absoluta falta de alternativas. Quando se está numa encruzilhada, você é obrigado a seguir um caminho ou outro. Eu mesmo não concordo com a solução, mas ou fazia isso, ou deixaria a delegacia abandonada, sem ninguém para cuidar dos presos, afirmou Machado. A delegacia de Castro - município com aproximadamente 60 mil habitantes - conta com apenas um delegado, um investigador e um escrivão.
Os presos que estão cuidando da delegacia ficam em alojamento à parte e têm acesso livre a todos os setores do prédio, incluindo as chaves das celas e das viaturas. Eles são responsáveis por preparar e servir a comida, pela limpeza e por relatar os casos de presos que necessitem de assistência médica. Mário Machado diz que receia que os detentos possam colocar a segurança da delegacia em perigo e afirma que há noites em que mal consegue dormir, mas reitera sua posição alegando que não poderia fazer outra coisa.
A situação de Castro não representa um caso isolado. Segundo Luiz Bordenowski, presidente do Sindicato das Classes Policias Civis (Sinclapol), metade dos municípios do interior do Estado não possuem nenhum policial de carreira e o que está ocorrendo em Castro é muito comum em várias cidades. Ele chama a atenção também para o fato de que a existência de presos condenados nas delegacias representa uma situação irregular.As delegacias servem para atender a população e fazer investigações. Lugar de preso condenado é na penitenciária, afirmou.
As promotoras de justiça Cristina Ruaro e Mônica Sakamori fizeram uma inspeção na delegacia de Castro e instauraram inquérito para apurar as irregularidades.
A Divisão Policial do Interior (DPI), divulgou ontem nota informando que o delegado Mário Machado será encaminhado para Curitiba, sendo substituído por um dos delegados de Ponta Grossa. O chefe do DPI, Roberto Ferreira do Nascimento, afirmou que é necessária a realização de novos concursos para preenchimento de vagas de policiais e a construção de novos presídios, mas acrescentou que isso demanda tempo e não há como resolver rapidamente os problemas da Polícia Civil.





