Presos chegam ao dobro da capacidade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de março de 1999
Especial para a Folha 
As cadeias públicas de Curitiba estão superlotadas. De acordo com um levantamento feito pela Folha junto às principais delegacias especializadas e distritos da cidade, o número de presos nas cadeias é 117% maior do que a capacidade das celas.
Segundo o Departamento da Polícia Civil do Paraná, funcionam 13 distritos e 15 delegacias especializadas em Curitiba. Apenas dez deles possuem celas para prisão temporária. Todas as celas foram montadas para que os presos ficassem até o julgamento numa cadeia pública para depois serem transferidos para as penitenciárias, diz Cláudio Telles, assessor de imprensa do departamento.
Mas não é isto o que acontece na prática. Muitas vezes os presos são condenados e continuam nas delegacias por falta de vagas no sistema penitenciário. Este é o caso de 20 dos presos da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba. O delegado titular, Jorge Azor Pinto, afirma que a situação chega a ser caótica. Já estamos com duas alas da delegacia interditadas por causa das rebeliões e a estrutura das celas está totalmente danificada, salienta. A última tentativa de fuga na Furtos e Roubos de Curitiba aconteceu no mês passado, quando os presos colocaram fogo nos colchões e quebraram tudo o tinha nas celas. A capacidade da delegacia é, atualmente, para 18 presos. A delegacia está com 68 pessoas detidas.
Mas não são apenas as cadeias públicas de Curitiba que enfrentam a superlotação de presos. A maioria das penitenciárias do Estado também sofre do mesmo problema. Em todo o sistema penitenciário do Paraná existem 3.984 vagas e 4.336 presos, um excedente de 352 pessoas. Não julgamos que tenhamos superlotação, em alguns municípios a situação é mais difícil do que em outros, afirma Fernando Alves, assessor de imprensa da Secretaria Estadual da Justiça e da Cidadania.
Para diminuir o problema, o Departamento de Polícia Civil do Paraná tem um projeto para a construção de duas cadeias públicas em Curitiba, cada uma com capacidade para 500 presos. O maior obstáculo para a execução do projeto é a falta de recursos. Acho que a única saída seria a construção de um cadeião em parceria com a iniciativa privada, sugeriu o delegado titular do 9º Distrito Policial, Marcus Michellotto. A intenção é criar uma cadeia industrial, que forneça produtos a baixo custo para as empresas que investirem na criação e contrução da cadeia. Acho que este seria o começo da solução de todos os nossos problemas, diz.
O delegado geral da Polícia Civil do Paraná, Newton Rocha, diz que a superlotação das cadeias públicas é um dos desafios assumidos por ele. Rocha afirma que está fazendo o que pode para melhorar a situação nos distritos e delegacias, concentrando os presos em apenas alguns distritos. Isto auxilia na vigilância dos presos e na diminuição das possibilidades de fuga, conclui o delegado.


