Presos cavam túnel em nova tentativa de fuga no 2 DP
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terça-feira, 21 de junho de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Policiais civis e militares enfrentaram na madrugada de ontem a 5 tentativa de fuga no 2º Distrito Policial (2º DP) de Londrina desde o início do ano. Pelo menos 24 presos tentaram escapar por um buraco cavado durante a noite, depois de terem serrado os cadeados das celas de uma das alas. Eles foram surpreendidos por um policial militar que fazia a guarda externa.
O delegado responsável pelo distrito, Antônio do Carmo, culpou a superlotação na carceragem pela nova tentativa de fuga, enquanto o juiz da Vara de Execuções Penais de Londrina, Roberto do Valle, admitiu que o problema não tem solução enquanto o novo Centro de Detenção não for concluído.
No momento da tentativa, às 4 horas, somente um investigador e dois PMs cuidavam do DP. ''Os presos serraram os cadeados de duas das quatro celas da ala. Depois de terem quebrado o concreto do chão, eles cavaram um buraco de cerca de 1,5 metro, que dava acesso ao pátio do distrito'', contou o delegado. Os presos teriam usado tampas de marmita e até uma barra de ferro. A terra retirada do chão foi depositada no corredor da ala, o que impediu parte das visitas na manhã de ontem.
A saída do túnel coincidiu com uma tampa de esgoto do DP, local onde o PM teria percebido a tentativa de fuga. ''Como estava escuro, o soldado conseguiu observar a luz de uma lanterna usada pelos presos pelas frestas do bueiro. Quando os presos perceberam que foram descobertos, voltaram às celas'', continuou o delegado, que deve indiciar pelo menos 24 detentos por danos ao patrimônio público. ''Não sabemos se todos participaram da escavação, mas os 24 detidos nas celas abertas seriam fugitivos em potencial''.
Esta é a 5 tentativa de fuga enfrentada este ano pela Polícia no 2º DP, o distrito com maiores problemas de superlotação entre os quatro com carceragem na cidade. Atualmente com 179 presos, a carceragem tem capacidade para 62. Todos os demais distritos estão superlotados e o último a enfrentar problemas foi o 4º DP, de onde nove presos fugiram no início do mês. ''Sem dúvida, a superlotação colaborou. É desconfortável e a segurança fica comprometida'', afirmou Antônio do Carmo.
Informado pela reportagem da Folha sobre a nova tentativa de fuga, o juiz Roberto do Valle disse que o problema não tem solução até o final do ano, quando o Departamento de Construção Civil do Estado (Decon) pretende entregar o Centro de Detenção de Londrina. ''Só estamos transferindo presos para a Casa de Custódia de Londrina (CCL) em caso de doenças graves. A CCL também está lotada'', contou.
Há pouco mais de três meses, o juiz determinou a transferência do excedente de presos em distritos para a CCL, que já abriga 431 detentos, 143 a mais do que a capacidade máxima. A Casa também sofreu uma tentativa de fuga no início do mês.
Roberto do Valle também descartou a interdição parcial do 2º DP que, segundo Antônio do Carmo, recebe entre cinco e 12 novos presos por semana. ''O processo de interdição, pedido pelo promotor Francisco Soares Dias Filho, até já está pronto, mas não posso deferí-lo. Isso só iria agravar a situação nos outros distritos''.


