Os internos da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, aproveitaram o tumulto do fim de semana – com tentativas de fuga e agentes penitenciários mantidos como reféns – para iniciar a construção de um túnel. A passagem começava na primeira galeria e já contava com uma extensão de nove metros. ‘‘Eles estavam praticamente do lado de fora do prédio. O túnel estava completamente pronto quando foi encontrado pelos policiais militares’’, avaliou Luiz Carlos Couto, diretor da PCE.
Ele culpou a ociosidade dos detentos e as obras inacabadas de reforma do prédio como principais motivos do motim. ‘‘Os presos estão com o tempo ocioso desde a última grande rebelião. Não estudam ou trabalham. Isto provoca insatisfação geral’’, lembrou. Couto está cobrando das autoridades a liberação imediata das obras.
Os equipamentos para a construção do túnel podem ter sido conseguidos na própria PCE. ‘‘Retiramos parte do entulho. Mas ainda temos muito material e ferramentas em todo o prédio’’, explicou o diretor. Durante o motim do final de semana, três detentos conseguiram fugir e quatro agentes penitenciários foram mantidos como reféns durante quase uma hora pelos presos Luciano de Lima, Altair Loures e Suelsi Francisco Moreira, que pediam remoção para Santa Catarina. Os presos portavam dois revólveres calibre 38.
Para Couto, as armas podem ter entrado durante as visitas ou por meio de algum servidor corrupto. ‘‘Todo mundo é suspeito’’, disse ele, ao contar que já está abrindo um procedimento disciplinar para analisar o caso. Enquanto o diretor da PCE diz que não sabe a procedência das armas, o major Nemésio Xavier de França, comandante do Batalhão de Polícia de Guarda dos Presídios, argumenta que os revólveres eram dos próprios agentes penitenciários. ‘‘Como os agentes não podem entrar na unidade armados, eles deixam os revólveres numa salinha na ala da administração. Os presos conseguiram chegar até esta sala e pegar as armas’’, salientou.
Luiz Carlos Couto não descarta novas ocorrências de tentativas de fuga e rebeliões na unidade. Principalmente pelo prédio estar com sérias deficiências. ‘‘Se fosse uma unidade pequena e nova as chances seriam menores’’, afirmou. A PCE conta com 1,5 mil internos. A carência de agentes penitenciários para os serviços é de 60 pessoas. A Polícia Militar está em estado de alerta. Policiais fazem vistorias rotineiras no local para evitar novos transtornos.
Os presos que pediram transferência para Santa Catarina aguardam decisão governamental na Penitenciária Provisória de Curitiba. A data da transferência ainda não foi marcada.

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