Presos, assustados e feridos: Para onde será que eles vão?
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quinta-feira, 01 de março de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
O sabiá, de asa machucada, vai voltar a voar. A fêmea de beija-flor também. Por enquanto, vão ficar de repouso, ganhando comida na boca, até que passem por uma readaptação e voltem à ''vida selvagem''. Eles e outros animais integram as estatísticas da 2º Companhia Ambiental Força Verde, que atua em 27 municípios e tem pelotões em Londrina, Maringá, Jacarezinho e Umuarama. ''Para se ter uma idéia, na região de Londrina, no último mês de dezembro, foram apreendidos 20 pássaros e seis animais silvestres. De uma maneira geral, por mês são expedidos cerca de 120 autos de infração'', quantifica o tenente Hugo Woll, da Força Verde.
Ele logo destaca que os pássaros são os mais visados, pela fácil comercialização, mas também os menos machucados, para que não percam o valor comercial. ''Outros animais a gente também encontra, como tatus, gambás, urutaus. São cerca de dez por mês, mas cada vez a gente encontra menos, porque o homem tem acabado com as áreas verdes da região. Onde eles vão viver então?'', critica.
Um vez recolhidos, estes bichos vão receber atenção diferenciada até que possam voltar ao habitat natural. Inicialmente podem ir para o Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ou para uma clínica veterinária particular que tem convênio com a Força Verde. Em um segundo momento, podem ser encaminhados para um criadouro científico no Parque Ecológico da Klabin, empresa com sede em Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa).
''Quando são aves, principalmente em extinção, eu também procuro achar alguma associação de criadores. Alguns não têm condições de voltar para a natureza, então pelo menos serão cuidados por pessoas especializadas e legalizadas pelo Ibama'', afirma a veterinária Carmen Hilst. Tanto no HV, quanto na clínica particular, é ela quem recebe os animais. ''São encaminhados tatus, macacos, cutias, gaviões, corujas, urutaus. Esses últimos costumam vir bastante machucados, porque como eles se camuflam na natureza, as pessoas os agridem para fazerem eles se mexerem e voarem''.
Entre as aves que mais trata, estão os sabiás, trinca-ferros e pintassilgos. ''Muitas pessoas criam em casa, mas para isso tem que estar regulamentado. Os animais precisam receber a anilha do Ibama''. A criação irregular é motivo de multa. Woll revela que muitas pessoas que são autuadas ou pelo menos repreendidas são agricultores que pegam os bichos por achá-los bonitos. ''A gente tem que saber lidar com isso também, porque às vezes é falta de informação. Aí, é nosso papel educar''.
De qualquer forma, as multas podem variar de R$ 500,00 a R$ 5 mil, dependendo da raridade da espécie. Em dezembro de 2006, foram arrecadados R$ 10 mil em multas com aves apreendidas. O dinheiro foi repassado ao Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema) e, segundo o tenente, será utilizado em projetos em benefício ao meio ambiente.
Outra irregularidade comum na região são as pescas. ''Somente em Londrina, no mês de dezembro, foram 32 autos de infração. Esse é um número relevante que queremos trabalhar''. Para estas e outras operações, a Força Verde conta com o apoio de equipes do Intituto Aambiental do Paraná (IAP) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). ''No que diz respeito à mata ciliar, por exemplo, participamos do programa estadual de recuperação. Esta é uma das ações integradas com estes outros órgãos que fazemos''.
Na 2 Companhia Ambiental Força Verde são 117 policiais disponíveis, sendo 36 em Londrina. ''Com esses convênios, acredito que nosso atendimento tem suprido a demanda. Além de que hoje o tema meio ambiente está em discussão, apesar de ainda precisarmos de mais compreensão e entendimento das pessoas''.®MDBO¯


