Presos armados ameaçam matar reféns
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segunda-feira, 09 de outubro de 2000
Luciana Pombo De Piraquara 
Dezesseis presos da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, iniciaram no final da noite de domingo um motim logo após uma tentativa de fuga frustrada. A confusão começou por volta das 23 horas. Os detentos estavam armados e conseguiram render sete agentes penitenciários. Eles tomaram uma das alas e ameaçavam matar os reféns caso a polícia não atendesse o pedido de um carro-forte, 16 coletes a prova de balas, dois tempras e sete pistolas. As negociações foram encerradas às 17h50 de ontem e devem ser retomadas a partir das 9 horas de hoje. Em quatro meses, é a terceira rebelião nas unidades penais na Região Metropolitana de Curitiba.
Com os equipamentos solicitados, os presos tinham a intenção de concretizar a fuga. Se a gente continuar aqui, a gente vai morrer. Estamos sendo ameaçados constantemente pela Polícia Militar. Não podemos continuar aqui, declarou Ademar Maboni, preso de confiança que servia café para a guarda e que foi um dos articuladores da rebelião.
Outros detentos que estavam com ele também conversaram ontem com a reportagem da Folha. Mais violento e condenado há 15 anos de prisão, Edu Silveira (nome fictício), vulgarmente conhecido como Bandejão, disse que os presos estavam dispostos a qualquer coisa para conseguir a liberdade. Ele disse que fazia parte do Primeiro Comando Paulista (PCP) e que já pedia há algum tempo para ser transferido para São Paulo. Não dá para ficar aqui. Estamos dispostos a qualquer coisa. Se a Polícia Militar invadir, a gente vai começar a matar, ameaçou ele, por telefone.
Outro preso, que se identificou como Luiz Prestes, disse que os dezesseis detentos sabiam das dificuldades de conseguir fugir da PCE com vida. Mas eles não estavam dispostos a desistir. Se tiver que morrer, nós vamos morrer. Vamos chegar no inferno juntinhos. Vamos morrer brigando, declarou ele.
O chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Justiça, Lorival Vieira Júnior, disse que o governo estava disposto a transferir imediatamente todos os presos para São Paulo. Mas não podia ceder as reivindicações de armamentos e carros para fuga. Estiveram negociando com os presos na PCE, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil seção Paraná (OAB-PR), Vara de Execuções Penais (VEP), Pastoral Carcerária, Secretaria de Estado da Segurança Pública e Secretaria de Estado da Justiça. Além do deputado federal Florisvaldo Rosinha Fier (PT-PR), que recentemente esteve visitando a penitenciária durante a passagem da Comissão Nacional dos Direitos Humanos pelo Paraná.


