A Polícia Civil começou a tomar, na tarde de ontem, depoimentos de detentos do minipresídio da 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel, no inquérito que apura denúncias de agressões de presos por repórteres policiais. Segundo as denúncias formalizadas pelos detentos, agressões, físicas e morais, eram praticadas para obter confissões ou entrevistas. Os radialistas Tiago de Amorim Novaes, 28 anos, e Ado Júnior, 33, apontados como agressores, negam as acusações e se dizem ‘‘vítimas’’ de presos, por relatarem seus crimes à sociedade.
A origem do inquérito está em portaria baixada em maio pelos juízes Mario Helton Jorge, da 2ª Vara Criminal, e Givanildo Constantinov, da 1ª Vara Criminal e Corregedor de Presídios, estabelecendo critérios para contatos dos repórteres com os presos. Um ofício ao delegado-chefe da 15ª SDP, Osnildo Carneiro, menciona ‘‘espancamentos por parte de policiais e também de jornalistas ligados à área policial, com destaque para Ado Júnior e Tiago de Amorim Novaes’’.
Segundo o ofício, até mesmo armas de fogo estariam sendo utilizadas. ‘‘Para fins intimidatórios, com a complacência dos demais delegados de Polícia desta unidade’’, diz o documento. Carneiro afirma desconhecer as ocorrências, mas frisa que o inquérito deve apurar os fatos e acha correta a portaria que obriga repórteres a obter autorização por escrito dos presos. Os juízes também proibiram a presença de repórteres no momento em que são feitos autos de prisão em flagrante.
A presa Viviane Bruno relata que, enquanto tomava sol no minipresídio, foi algemada pelo repórter Tiago. ‘‘Mulher vagabunda tem que ser tratada assim’’, teria dito ele. O radialista teria chutado a irmã de Viviane, Cristina, que confirmou a agressão. Viviane deu as declarações na 2ª Vara Criminal, onde foi chamada para audiência por ter sido presa sob acusação de furto.
Preso sob acusação de estupro, João da Silva disse que um repórter gordo e um barbudo tentaram forçá-lo a confessar. Os repórteres teriam dito que se não confessasse ‘‘iriam enfiar o gravador dentro da boca do acusado’’.
João da Silva relatou que depois apanhou ‘‘de um repórter gordo e moreno’’ e de um policial, mas não soube identificá-los pelo nome. Sandro Rossi, acusado de envolvimento em assalto, diz que confessou ‘‘porque apanhou de policiais e do jornalista Ado Júnior’’. Outro preso, José Sarmento, acusado de latrocínio, repete a denúncia em relação a Tiago Novaes. Segundo os juízes, este tipo de queixa cresceu nos últimos meses.

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