Sair da cadeia pode ser o maior, mas não é o único desejo dos internos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Dobrando e embalando cerca de 50 mil camisinhas com panfletos informativos sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), um grupo de 20 detentos espera garantir aos foliões da cidade um carnaval mais seguro e saudável. O serviço, prestado de forma voluntária, acabou ontem e não vai reduzir a pena ou garantir renda para nenhum dos participantes. O objetivo do trabalho, segundo eles mesmos, é ser solidário.
Esta é a segunda vez que os serviços dos internos são requisitados pela Comissão Municipal de Combate à Aids, um grupo de entidades que luta pela prevenção da doença na cidade, sob a tutela da secretaria municipal. As camisinhas distribuídas no ano passado também foram embaladas por eles. O material é fornecido pelo Ministério da Saúde e a coordenação fica a cargo de uma das técnicas da PEL, a psicóloga Cintia Helena Santos. Todo o serviço foi realizado pelos presos responsáveis pela saúde de cada ala da penitenciária os monitores de saúde.
Os trabalhos se encerraram ontem e, segundo Cintia Helena, as camisinhas serão distribuídas em todos os pontos onde serão realizados eventos de carnaval, como clubes. ''Sabemos que o sexo faz parte das festas e isso faz desse serviço uma coisa muito gratificante'', disse o interno Jonas Batista da Silva, 38 anos, preso desde 1998. ''Nosso objetivo é ajudar e, com isso, milhares de jovens vão poder se divertir com segurança'', continuou. Pelos serviços, a Comissão de Combate à Aids deve fornecer aos presos 20 kits de higiene, com sabonete, pasta de dente e papel higiênico.
A consciência sobre a importância da prevenção contra DSTs é mostrada com propriedade por todo o grupo de internos graças a trabalhos realizados desde 1994 por uma comissão interna da PEL. Segundo Cintia Helena, quatro anos depois esta comissão ganhou reforço dos próprios presos. ''Isso facilitou muito a comunicação com eles. Problemas que os detentos tinham vergonha de expôr para o grupo técnico passaram a ser discutidos por eles mesmos. Se depois disso a ajuda profissional ainda era necessária, monitores nomeados entre os presos nos traziam as questões'', explicou a psicóloga.
Grande parte dos resultados destes trabalhos está sendo observada agora. Entre os 591 internos, há somente 10 casos conhecidos de pessoas soropositivas. A intenção do grupo de monitores é reduzir ainda mais este índice e, para isto, atividades como oficinas sobre sexo seguro e redução de danos para usuários de drogas devem ser ministradas durante este carnaval. ''Conversas com este teor eram raras entre os presos, mas com a implantação destes projetos percebemos uma mudança de comportamento que aumentou há quatro anos. Agora, não há um monitor que não tenha ajudado algum preso'', comemorou Altemar da Silva Francisco, interno da PEL há três anos e monitor há dois.

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