Árvores condenadas à erradicação serão transformadas em residências para famílias carentes em Londrina. A iniciativa será viabilizada por uma parceria entre o programa Onde Moras, a Secretaria Muncipal do Ambiente (Sema) e a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). As toras resultantes da derrubada das árvores serão doadas ao Onde Moras para a construção de casas mistas de madeira e alvenaria. O beneficiamento do material será feito por oito detentos do regime semi-aberto PEL.
Na manhã de ontem, uma cerimônia com presença de autoridades marcou o início dos trabalhos. De acordo com o engenheiro Maurício Costa, coordenador do programa, as casas beneficiarão famílias que vivem em barracos na periferia de Londrina. ''Vamos contratar pedreiros nas próprias comunidades'', disse.
Os recursos para o pagamento dos trabalhadores e a compra de outros materiais de construção necessários serão obtidos através de doações. A primeira casa será entregue a uma família do Jardim São Jorge (Zona Norte). A doação do material de construção foi feita por um empresário de Londrina.
A Sema erradica uma média de 250 árvores por mês em Londrina, que devem render 100 toras para uso nas construções. Costa informou que a quantidade é suficiente para a confecção de 10 residências. Desde que foi fundado, em 1996, o projeto Onde Moras já entregou 69 casas a famílias carentes e mantém 71 obras em andamento.
Para os dententos envolvidos, a participação no programa é uma oportunidade para remissão da pena, já que cada três dias trabalhados reduzem o tempo de detenção em um dia. ''Também é uma oportunidade de aprender uma profissão'', considerou o diretor da PEL, Raimundo Hiroshi Kitanishi.
Experiente em vários ofícios da construção civil, o detento Roberto Martins Reis, 42, espera que o programa abra oportunidades de emprego quando ele deixar a penitenciária, daqui há alguns meses. ''Poder passar o dia trabalhando é outra vida'', disse ele.
Um detento de 36 anos, que não quis se identificar, espera aprender a trabalhar com construção civil enquanto participa do programa. Quando retornar para casa, entretanto, ele não pretende atuar nesse setor. ''Quero voltar a trabalhar com terraplanagem, que é a minha profissão. O que eu aprendo aqui (na PEL) vai ficar de bagagem para a vida''.

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