Presos, agora, ameaçam matar um companheiro de cela por dia
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segunda-feira, 19 de maio de 1997
Da Redação 
A ala do 2º Distrito Policial, onde estão os presos transferidos do 3º DP, depois da rebelião do último sábado, é representação máxima de terror e expectativa. Lá estão dois presos já sorteados para morrer. A reportagem visitou as celas no final da tarde de ontem.
Os dois condenados pediam pelo amor de Deus que alguém fizesse alguma coisa, para não serem mortos. A promessa é matar um preso por dia, caso as autoridades não tomem providências para acabar com a superlotação, a truculência policial, com os privilégios e a corrupção dos presos de confiança.
Este tipo de preso é escolhido pelos próprios policiais para executarem serviços fora das celas. A PM também é acusado de agressões durante as revistas. Vamos repetir a detruição que fizemos se os PMs voltarem a bater em nós, afirmou um dos presos que não quis ser identificado. Imagens de agressão foram gravadas na última sexta-feira no 3º DP, pela CNT.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Marino Ari Burille, disse que afastou os policiais agressores que foram reconhecidos no vídeo. Hoje à tarde é dia de visita. O maior pavor entre os presos é que, após a saídas dos familiares, o pelotão de choque da Polícia Militar faça a revista. Eles vão vir com tudo, pois devem estar com raiva pelo que fizemos no 3º DP, comentou um preso.
O delegado responsável pelo distrito, Luis Antônio Zuba de Oliva, disse que não sabe o que fazer. Nas seis celas para 24 vagas estão 97 presos empilhados uns sobre os outros sem as mínimas condições de higiene, total promiscuidade e um calor que chega a 50 graus. Nas celas não existe água e não é permitido que os presos tomem sol.
No 4º DP estão 74 presos para 24 vagas. Nas celas misturam-se doentes com Aids, hanseníase e com problemas mentais. Um dos presos com problema mental faz suas necessidades e joga nos outros companheiros de cela. Cada vez que ele repete a loucura, apanha dos companheiros.
O juiz da Vara de Execuções Penais e corregedor das cadeias de Londrina, Roberto Ferreira do Valle, esteve ontem no distrito.


