Presos acusados do golpe do bilhete
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de junho de 2001
Lucinéia Parra De Maringá 
Dois golpistas que agiam no centro de Maringá foram presos e a polícia apreendeu com eles bilhetes de loteria e pacotes de notas promissórias usadas no golpe do bilhete. Eles tentavam enganar uma mulher perto da agência centro da Caixa Econômica Federal, anteontem à tarde.
Edgar da Silva Santos, 59 anos, e Jonathan Dias, 41, confessaram na 9ª Subdivisão Policial de Maringá que são golpistas e moram em Londrina. Eles afirmaram que já aplicaram diversos tipos de golpes em cidades do interior de São Paulo, mas negaram que já tivessem agido em Maringá e em Londrina. No momento da prisão, Santos tinha acabado de abordar uma senhora e pedia a ela para informar ficava a Caixa Econômica Federal. O objetivo dele, conforme relatou em depoimento na delegacia, era mostrar para a vítima um bilhete premiado e pedir para que ela o ajudasse.
Jonathan Dias, que também foi preso, não chegou a se envolver na tentativa de golpe. No entanto, ele confessou iria participar, como uma pessoa que passaria pelo local e ouviria a conversa entre o comparsa a vítima. Dias demonstraria interesse no bilhete e iria sugerir à mulher que ambos oferecessem uma certa quantia de dinheiro a Edgar Santos em troca da loteria premiada. Para provar que já tinha o dinheiro para dar ao comparsa, Dias mostraria para a vítima alguns pacotes com notas de um real. Na verdade, em baixo do dinheiro havia talões de notas promissórias.
De acordo com o delegado José Aparecido Jacovós, as vítimas caem nesse tipo de golpe porque o golpista apresenta um bilhete com os números sorteados na semana anterior. Na hora, a pessoa nem confere o número do concurso e acredita que realmente são os números sorteados, explicou.
Segundo ele, a maioria das vítimas é enganada por causa da ganância. O delegado afirmou que os policiais estão mais presentes no centro de Maringá em função do elevado número de golpes aplicados na cidade nos últimos seis meses. A média, segundo ele, é de três a quatro registrados na delegacia por mês.
Outros dois homens que participariam do golpe e que estavam no carro aguardando Dias e Santos fugiram quando perceberam a abordagem policial. Os dois presos denunciaram diversas pessoas, todas de Londrina, que estariam praticando golpes em Maringá e região. Jacovós afirmou que vai pedir a prisão preventiva de todos os denunciados.
Um homem identificado apenas como José Luiz, que mora no Jardim Leonor, em Londrina, foi denunciado pelos dois como sendo o responsável em treinar os golpistas. Conforme Edgard Santos, o prejuízo para a vítima varia de acordo com a sua ganância. Tem gente que dá um, dois e até três mil reais, afirmou.
Um dos golpes que mais chamou a atenção dos delegados de Maringá foi aplicado no mês passado em uma professora. Ela teria ido até a Caixa para sacar R$ 17 mil do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e comprar um apartamento. Ao sair, ela foi abordada pelos golpistas que levaram todo o dinheiro.
Conforme o delegado, a mulher foi vítima do golpe da recompensa, no qual o estelionatário deixa cair um cheque de quantia bastante elevada. A vítima vê, pega o cheque e tenta devolvê-lo ao golpista, mas é convencida a ficar em troca do dinheiro que ela tem. Depois a pessoa enganada descobre que o cheque é frio.


