Numa ação conjunta da Polícia Civil de Francisco Beltrão e GOE (Grupo de Operações Especiais) do Batalhão da Polícia Militar de Pato Branco, foram presos na madrugada de ontem, oito acusados de terem sequestrado e torturado o coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Seno Staats, no início desta semana, em Renascença (15 km a leste de Francisco Beltrão). O juiz criminal da Comarca de Francisco Beltrão, Marcelo Walbach Silva, emitiu o mandado de prisão temporária na noite de anteontem. Dois dos acusados estão foragidos.
Três advogados entraram com recursos ontem à tarde para soltar Henrique Pratti, 65 anos, administrador da Fazenda Santana, suspeito de ser o mandante do crime. O mandado de prisão foi expedido após uma comissão do MST reunir-se com o juiz para pedir que a justiça agilizasse a prisão dos acusados do sequestro.
Seno foi abordado por oito ou dez homens, jogado na carroceria de um carro, possivelmente uma caminhonete. Staats disse que, enquanto o veículo estava em movimento, os sequestradores o atingiam com socos, chutes e coronhadas na cabeça, queimaram suas mãos com cigarro e o ameaçaram de morte. Num matagal, colocaram um saco plástico em sua cabeça, tentando asfixiá-lo. Quando estava próximo de perder os sentidos, retiraram o plástico. Após mais agressões, embarcaram o coordenador do MST no carro e o largaram próximo da sede da fazenda
Uma das condições impostas para libertar Seno Staats era a retirada das famílias que ocuparam uma área da Fazenda Jaciretã, propriedade da Madeireira Santana. Também ameaçavam sequestrar familiares de Staats e outros líderes do MST.
Segundo o delegado adjunto da 19ª SDP de Francisco Beltrão, Walter Vicente de Oliveira, estão presos Antonio Duarte de Araújo, Izaías Machado Soares, Marco Brizola, Nuidir Machado Soares, Valdemar Pinheiro de Ávila, Mario Antunes, José Machado Soares e Henrique Pratti. Estão foragidos Genercy de Siqueira e Olmiro Pacheco.
Oliveira disse que mo momento da prisão, Marco, José Soares, Mario Antunes e José Machado afirmaram que o mandante do sequestro era o administrador da fazenda, Henrique Pratti. Na manhã de ontem eles negaram. O delegado dizze que todos os acusados são funcionários da fazenda e que não receberam nada pelo sequestro. O advogado e administrador da Fazenda Santana, que pertence do Grupo Saima, Henrique Pratti, negou qualquer envolvimento com o sequestro. Numa sala especial na delegacia de Francisco Beltrão, ele falou que ficou sabendo do caso pela imprensa.
Pratti disse que sempre procurou os meios legais para resolver os problemas da área, que foi ocupada em junho do ano passado, por 110 famílias. ‘‘A reintegração de posse foi expedida em julho do ano passado e até agora a ordem judicial não foi cumprida’’. Nesta semana, Pratti entrou com outro pedido de reintegração de posse porque mais uma área da Fazenda foi ocupada por 35 famílias de sem-terra. O administrador se defende dizendo que não ganharia nada mandando sequestrar Seno Staats após já ter uma área invadida. ‘‘Não compreendo qual seria a vantagem’’, salienta. Conforme Henrique Pratti, na sua opinião o sequestro foi simulado pelo próprio MST.

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