Presos acusados de dar golpe milionário
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quinta-feira, 26 de junho de 2008
Diego Ribeiro<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Quatorze pessoas acusadas de formar uma quadrilha que simulava empréstimos e vendia títulos falsos de obrigações ao portador da Petrobras e ainda fabricavam títulos de empresas fantasmas foram presas ontem. O esquema foi desmontado em uma intervenção da Delegacia de Estelionato e Desvio de Carga (DEDC). Os acusados teriam ainda articulações no México e na Espanha. A ação ocorreu na manhã de ontem, em Curitiba, Balneário Camboriú (SC), Brasília (DF), Matinhos (Litoral do Paraná), Apucarana (Norte) e Foz do Iguaçu (Oeste).
''A quadrilha se concentrava em dois tipos de golpes. Um era a venda de títulos falsos e o outro era os empréstimos'', contou o delegado-chefe da DEDC, Marcus Vinicius Michelotto. De acordo com o secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, os golpes passam de R$ 10 milhões.''Era uma grande articulação criminosa, que não deixa rastro de sangue, mas causa uma lesão ao patrimônio grande'', afirmou Delazari.
A polícia informou que o núcleo central da quadrilha, formada por 17 pessoas com alto conhecimento em mercado financeiro e grandes negociações internacionais, tinha sede em Curitiba, onde organizavam o esquema. Três continuam foragidos.
De acordo com o delegado Michelotto, os empresários eram cooptados e recebiam propostas de empréstimos com valores de juros muito abaixo do mercado, que serviam de atrativo.''Muitas vezes, eles convidavam os empresários com despesas pagas e o levavam em um escritório de fachada em Madri, na Espanha, onde tentavam mostrar credibilidade nos negócios'', explicou.
Nas negociações, os golpistas exigiam garantias de que o empréstimo seria pago, mas raramente aceitavam os imóveis como caução. Com a negação dos imóveis, a quadrilha oferecia seguros para os empréstimos, que seriam pagos, então, via depósitos bancários, para contas fantasmas. ''Eles vendiam a apólice e depois sumiam'', disse o secretário.
O delegado operacional da DEDC, Vinicius Carvalho, explicou que o grupo utilizada o auxílio de doleiros e offshores - centros financeiros em paraísos fiscais coordenados por pessoas que não residem na cidade sede - para repatriar o dinheiro recebido dos empresários enganados. A polícia cumpriu mandados de prisões temporárias, expedidas pelo juíz Pedro Sanson Corat, da Vara de Inquéritos Policiais (VIP) de Curitiba. Eles foram autuados por estelionado, formação de quadrilha e, possivelmente, segundo a polícia, sejam enquadrados em algum crime contra ordem econômica.
Quatro vítimas foram encontradas pelos policiais, que investigam o caso há quatro meses e, agora, deve encaminhar cópia do inquérito à Interpol, que deverá ficar encarregada das prisões de um dos foragidos, que estaria na Espanha. O delegado Carvalho informou que os outros dois integrantes do grupo estão no Brasil. Um dos envolvidos foi detido em uma mansão no bairro Santa Felicidade, em Curitiba. Foram apreendidos dez veículos importados e nacionais, 18 títulos do Banco Central da Venezuela, avaliados em R$ 25 milhões, suspeitos de serem falsos, dois títulos frios da Petrobrás, cartões de crédito, talões de cheques e computadores.


