Curitiba A equipe da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas de Curitiba prendeu quatro acusados de integrar uma quadrilha que aplicava golpes em segurados ligados ao Exército, Polícia Militar e funcionários federais e estaduais. Eles são suspeitos também de tirar dinheiro de vítimas que estavam na lista de cartórios por dívidas que seriam protestadas. Segundo a polícia, a quadrilha agia no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. Só no Paraná, desde abril de 2004 a polícia estima que o grupo tenha aplicado golpes no valor de mais de R$ 1 milhão em mais de 100 vítimas. As prisões ocorrem no dia 5, mas foram divulgadas somente ontem.
O golpe do seguro era aplicado sempre por telefone. Segundo a delegada Vanessa Alice, que coordenou as investigações, as vítimas escolhidas haviam pagado o seguro durante vários anos. Os acusados, de acordo com a polícia, ligavam dizendo que a pessoa tinha direito a um ressarcimento pelas contribuições feitas. Para receber, teria que depositar 10% do valor para pagar custos com advogados.
''Eles diziam que a pessoa tinha direito a R$ 70 mil, por exemplo, mas teria que pagar antes R$ 7 mil. Às vezes a vítima depositava só 50% do valor. Aí a quadrilha depositava um cheque com o valor total em sua conta, e ela depositava o resto. Só depois que a vítima descobria que o cheque era roubado, ou foi sustado'', contou a delegada. Segundo ela, para escolher as vítimas, o grupo tinha listas de corretoras de seguro com os nomes de segurados.
No caso do outro golpe, os acusados pesquisavam anúncios obrigatórios feitos pelos cartórios em jornais. Com dados da pessoa e sobre o título devido, eles ligavam dizendo que eram do cartório de Protesto de Títulos e solicitavam o depósito do valor devido mais a taxa de cartório para que o título não fosse protestado.
Nos dois casos, de acordo com a polícia, as vítimas eram orientadas a depositar os valores sempre em contas de ''laranjas'', que também recebiam pequenas quantias pelo serviço. A quadrilha também fornecia às vítimas sempre o mesmo número de um telefone fixo, o qual nunca atendia. Os contatos eram feitos sempre por celulares diferentes.
Nelson James Martins, 51 anos, Diomar Domingos Santos de Araújo, 45, e Marcos Barbosa Cyganczuk, 40, apontados como cabeças do grupo, e Carlos Roberto da Silva, 42, foram presos no dia 5 em Morretes, Litoral do Paraná, em uma pousada onde estavam hospedados. Além das listas de seguradoras e os recortes de jornais, também foram aprendidos no local vários celulares, recibos de depósitos bancários e outros documentos que comprovariam a ação de estelionato.
A polícia do Paraná estava investigando desde 2003, mas segundo depoimento de um dos presos, os golpes já eram aplicados em diversos estados desde o começo da década de 90. Segundo a delegada, nesse tempo a polícia chegou a identificar os envolvidos e até efetuar prisões. O problema é que sempre que a investigação chegava aos laranjas, que cediam as contas de banco para os depósitos das vítimas, os cabeças ficavam sabendo e mudavam de cidade.
Martins e Araújo, de acordo com a delegada, são corretores de seguros de verdade, sendo que Martins trabalhava como autônomo e Araújo era funcionário de uma empresa de Curitiba. Outro preso, Roberto da Silva, já tinha sido preso em 2003 pelo mesmo crime. Ele saiu em março deste ano em condicional, e voltou à mesma prática. Os quatro responderão inquérito policial por estelionato e formação de quadrilha.

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