Presos 4 sem-terra acusados de tortura
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sexta-feira, 12 de setembro de 1997
Luciane Tonon Jundiaí do Sul 
Paulo WolfgangOs presosRenato Pedro de Almeida, Wanderlei Tardeli, Anísio Xavier Dias e Idair Sebastião RibeiroEstão presos em Londrina quatro sem-terra envolvidos na agressão contra fazendeiros e funcionários da Fazenda Cordilheira, em Jundiaí do Sul (67 km de Jacarezinho). Desde quinta-feira, os líderes Idair Sebastião Ribeiro (Macota) e Wanderlei Tardelli e os assentados, Renato Pedro de Almeida e Anísio Xavier Dias, estavam com o mandado de prisão preventiva decretados. Eles vão responder por sequestro e cárcere privado qualificado, conforme artigo 148 do Código Penal.
Os quatro presos foram encaminhados ao 2º Distrito Policial de Londrina. O Código Penal prevê pena de dois a oito anos para o crime do qual são acusados.
Os sem-terra ocuparam a fazenda no último sábado, e são acusados de torturar funcionários e os fazendeiros Haroldo Schweitzer e Ney Mário Minardi. Os sem-terra deixaram a fazenda na quarta-feira para que técnicos do Incra fizessem a vistoria da área. Eles estão acampados na estrada. O ministro extraordinário da Política Fundiária, Raul Jungmann, disse que a Fazenda Cordilheira não será destinada ao assentamento de sem-terra.
Dorico da SilvaLevantamentoTécnicos do Incra vistoriam a Fazenda Cordilheira; área não deverá ser destinada para assentamento
Macota se apresentou ontem com seu advogado, Agostinho Magno Alcântara, ciente do mandado de prisão. Ele, Tardelli e Almeida estavam no acampamento pela manhã quando um oficial de justiça comunicou que deveriam se apresentar. Macota alegou não saber porquê estava sendo preso, sem ter prestado depoimento. Dias, o quarto indiciado, foi encontrado por policiais em Ribeirão do Pinhal.
O mandado de prisão preventiva foi deferido pela juíza Telma Regina Magalhães Carvalho. Os quatro sem-terra deverão ficar presos até a conclusão do inquérito, que segundo o advogado Alcântara, tem prazo de dez dias.
Ontem à tarde, Alcântara se reuniu com a família de Macota para decidir as estratégias de defesa. O advogado deverá entrar com pedido de habeas corpus. Não sabemos em que fundamento foi requerida a preventiva de Macota. Quando ocorreu o tumulto, ele já havia sido baleado e retirado do local para ser socorrido, afirma o advogado.
A Polícia Militar deslocou cerca de 40 homens para o acampamento dos sem-terra instalado às margens da rodovia PR-218, onde a notícia da prisão dos principais líderes gerou um princípio de revolta. Alguns acampados disseram que vão exigir a libertação dos quatro presos. Até o final da tarde a situação era calma no acampamento.
Vamos nos unir ainda mais. Nós vamos dar o apoio que for preciso para os que estão presos, disse um dos acampados, Pedro Marcolino.
Queremos saber por que quem atirou no Idair não teve mandado de prisão. E ele, que foi baleado, nem teve o direito de ser ouvido e está atrás das grades, disse Maria Almeida, esposa de Renato Almeida, um dos presos.


