A Polícia Nacional paraguaia prendeu anteontem à noite, em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, 35 chineses acusados de pertencer à máfia chinesa, organização criminosa especializada em extorquir comerciantes orientais que atuam na cidade. No grupo estavam três mulheres e uma criança de um ano de idade.
A prisão ocorreu às 21 horas em um restaurante especializado em comida chinesa, no centro de Ciudad del Este. Segundo o chefe do serviço de Relações Públicas da Polícia Nacional, Antônio Ibarra Colmán, os presos alegaram que estavam reunidos para comemorar o aniversário da criança. ‘‘Mas a festa de aniversário era apenas uma fachada e a reunião era para discutir a atuação da máfia chinesa’’, declarou Colmán.
Dos 35 presos, 20 foram liberados ontem pela manhã, depois de apresentarem documentos paraguaios. A Polícia Nacional suspeita que esses documentos sejam falsos. Os 15 que não possuíam identificação permanecem presos na sede da Polícia Nacional do Departamento de Alto Paraná, em Ciudad del Este, e deverão ser deportados para a China.
O chefe de Relações Públicas disse que os chineses que possuíam documentos paraguaios foram liberados porque não havia nenhuma acusação formal contra eles. ‘‘A maioria das vítimas tem medo de denunciar os integrantes da máfia chinesa’’, afirmou Colmán.
Segundo ele, os que não portavam documentos permanecem presos por estarem ilegalmente no país. Muitos dos presos teriam sido reconhecidos como integrantes da máfia, por meio de fotografias, por comerciantes chineses de Ciudad del Este.
Colmán informou que alguns dos chineses presos moravam em Ciudad del Este, Assunção, Pedro Juan Caballero (todas cidades paraguaias), mas a maioria estaria residindo em Foz do Iguaçu. O grupo já vinha sendo investigado pela Polícia Nacional havia alguns meses e o fato de se reunir no restaurante facilitou a prisão.
Esta foi a segunda prisão de chineses acusados de integrar a organização criminosa ocorrida apenas esta semana em Ciudad del Este. Na segunda-feira, a Polícia Nacional prendeu em flagrante quatro homens acusados de tentar extorquir US$ 40 mil de um comerciante de Ciudad del Este. Eles teriam entrado ilegalmente no Paraguai, usando documentos falsos.
A atuação da máfia chinesa na fronteira entre Brasil e Paraguai vem sendo investigada desde 1994 pela Polícia Federal brasileira, a Polícia Nacional paraguaia e a Interpol (Polícia Internacional).
Segundo a Polícia Nacional paraguaia, a organização se especializou em extorquir comerciantes orientais - principalmente de Taiwan - que atuam em Ciudad del Este. Há cerca de 9 mil chineses vivendo ilegalmente no Paraguai.
Os integrantes da máfia chinesa são acusados de delimitar áreas de atuação e estipular cotas de mercadorias que cada comerciante pode vender.
De acordo com o Colmán, os membros da máfia são oriundos da China continental e exploram os comerciantes de Taiwan (antiga província chinesa localizada em uma ilha do Oceano Pacífico).
Um acordo entre os governos do Paraguai e de Taiwan vai enviar quatro policiais e quatro juízes paraguaios àquele país para estudar o comportamento da máfia chinesa com o objetivo de combatê-la.

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