Sid Sauer
De Campo Mourão
Depois de cinco meses de investigações, a polícia de Campo Mourão prendeu três homens suspeitos do assassinato da dona de casa Cleuza Sacoman de Almeida Pires, 40, e da filha dela, Lílian de Almeida Pires, 14. As duas foram degoladas com golpes de uma faca e de um machado em setembro do ano passado, num sítio na divisa de Iretama com Luiziana (Noroeste do Estado). Um dos suspeitos morava em Curitiba.
Foram presos Sidney Souza Santos, Valdir de Almeida Pires e Cláudio Crispin Arruda. Todos estão com prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça de Iretama, mas o delegado Lindomar Alves Júnior, que cuida do caso, diz que esse prazo pode ser prorrogado enquanto a polícia busca provas. O trio suspeito nega qualquer participação no duplo homicídio. Arruda, que estava em Curitiba, só chegou ontem à delegacia de Campo Mourão.
‘‘Os indícios contra os três são fortes’’, disse o delegado. A faca usada no crime, por exemplo, foi encontrada com Valdir, que é cunhado e tio das vítimas. Ele contou em depoimento que encontrou a faca num paiol do sítio e ‘‘esqueceu’’ de entregá-la à polícia. A faca foi entregue à polícia com o cabo derretido. Para o delegado, o fogo foi colocado para apagar as impressões digitais. Já Arruda, mesmo morando em Curitiba, foi visto em Luiziana no dia do crime.
Arruda é suspeito de ter sido contratado para executar o crime. A suspeita ocorreu porque Sidney teria dito, de acordo com testemunhas, que iria ‘‘mandar o Cláudio (Arruda) matar Cleuza’’. Sidney é casado com uma irmã de José de Almeida Pires Neto, 46 (marido de Cleuza e pai de Lílian). O delegado descobriu que a família estava com brigas pela partilha de bens, uma vez que o pai de José de Almeida e de Valdir e sogro de Sidney, tinha morrido havia 30 dias.
Um outro suspeito, José Pereira, nunca foi encontrado pela polícia. Pereira é filho de uma antiga dona do sítio onde ocorreu o crime. Foi a própria mãe dele quem disse à polícia que o filho, ao não aceitar a venda da propriedade, havia prometido ‘‘cortar o pescoço’’ dos novos proprietários. ‘‘Os indícios hoje levam mais para um crime familiar’’, frisa Alves Júnior.

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