ZanellaNegócio duvidosoParte do grupo de presos; adolescentes disseram que guardas da aduana eram subornados Vinte pessoas - metade delas adolescentes de 14 a 17 anos - foram presas ontem em Foz do Iguaçu, acusadas de roubar e vender mercadorias de caminhões que aguardam liberação de cargas na aduana entre Brasil e Argentina.
Nessa aduana, que fica perto da Ponte Tancredo Neves, ligação entre os dois países, dezenas de caminhões transportando produtos da Argentina e do Chile - principalmente frutas, alho e cebola - permanecem estacionados por períodos de até dois dias, aguardando a fiscalização das cargas e a liberação de documentos para poder entrar no Brasil.
A prisão do grupo foi realizada durante operação conjunta das polícias Civil e Militar. Segundo o delegado do 3º Distrito Policial de Foz do Iguaçu, Danilo Cesto, que comandou a operação, três adolescentes foram detidos em flagrante, às 3h50 de ontem, quando roubavam sacas de cebola de um caminhão que trazia o produto da Argentina.
Os adolescentes então levaram os policiais à casa do paraguaio Isidoro Amarilla, que mora em Foz do Iguaçu, onde estariam sendo armazenados os produtos roubados para posterior distribuição a receptadores. Nesse local, foram presas as outras 17 pessoas, entre elas Amarilla e outro paraguaio, Valter Acosta.
A operação só foi concluída às 8 horas. O delegado disse que oito dos 20 presos são receptadores das mercadorias e foram chegando à casa durante a madrugada para buscar alho e cebola.
Na casa foram apreendidos 1.200 quilos de alho e 500 kg de cebola e três veículos - uma Pampa, uma Kombi e uma caminhonete Ford -, que estariam sendo usados para o transporte dos produtos roubados. Segundo o delegado, em apenas um roubo, ocorrido na quarta-feira, foram levados, de uma caminhão que estava estacionado na aduana, 300 sacas de 25 quilos de cebola, cujo valor chega a R$ 6 mil. Essa mercadoria não foi recuperada.
Os presos estavam sendo interrogados pela Polícia Civil ontem à tarde. Eles se recusaram a dar entrevistas. A advogada Jane Alves dos Santos, que representa os oito acusados de receptação, disse que eles são comerciantes que revendem produtos para quitandas e pequenos supermercados e que não sabiam que a mercadoria que estavam comprando era roubada.
A polícia está investigando a suposta conivência dos vigilantes que fazem a segurança da aduana. Segundo o delegado, durante o depoimento os adolescentes disseram que cada um deles subornava os guardas com R$ 10,00.
Cesto informou que vai comunicar a denúncia à Receita Federal, responsável pela aduana. Os vigias trabalham em uma empresa de segurança particular contratatada pela receita. O nome da empresa não foi divulgado pela polícia.
Os dez adolescentes presos serão encaminhados ao 2º Distrito Policial de Foz do Iguaçu, onde ficam detidos menores acusados de crimes. Nesse local, eles permanecerão à disposição do Juizado de Infância e Juventude. Dos dez adultos, dois serão indiciados por furto e oito por receptação. A pena para ambos os crimes vai de um a quatro anos de reclusão.

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