A Polícia Civil de Londrina prendeu na noite de anteontem, no Jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste), Nilton Cesar Marcelino Vieira, 18 anos, conhecido por ''Juruna'', suspeito de co-autoria no assassinato do estudante Luiz Hermínio Izique Victorelli, de 19 anos, espancado e executado com três tiros, na madrugada de domingo. Juruna negou a participação direta no crime, disse que somente entrou na caminhonete Dakota da vítima e que o autor é um traficante conhecido por ''Tiaguinho Tibuti''. Ele afirmou ainda que outro homem, conhecido apenas por ''Sí'' estaria envolvido no crime.

Mesmo o acusado tendo dito que o estudante foi morto por vingança, pelo fato de o irmão gêmeo dele ter sido preso em maio deste ano e delatado pontos de venda de drogas, o delegado que preside o inquérito, João Aquino de Almeida, do 3º Distrito Policial, disse que novas evidências fortaleceram a hipótese de latrocínio. Almeida indiciou Juruna, que reside no Jardim Nossa Senhora da Paz, por considerar a ''participação efetiva'' dele no crime. Uma outra pessoa, conhecido por ''Ferrugem'', foi interrogada pelo delegado na noite de anteontem, mas liberada em seguida. ''Com certeza foram duas ou mais pessoas que participaram do crime'', afirmou o delegado.

Segundo o depoimento prestado ontem, Juruna afirmou que viu o estudante acompanhado por Tiaguinho e que o chamou para entrar no veículo. Conforme o suspeito, Tiaguinho estava armado e dizia que o estudante pagaria no lugar do irmão. Depois de circularem algum tempo pelas imediações da favela, Tiaguinho teria pedido a Juruna que descesse da caminhonete, pois teria contas a acertar com Victorelli. O indiciado declarou ao delegado que não sabe o que aconteceu em seguida. Ele declarou também que Tiaguinho voltou mais tarde e disse: ''Pô, acabei matando o cara.''

Além da hipótese de vingança, a polícia trabalha com a possibilidade de latrocínio, reforçada no final da tarde de ontem com a recuperação de dois relógios da vítima das mãos de receptadores (um deles será ouvido hoje). Outros pertences pessoais de Victorelli, como celular e R$ 300,00 em dinheiro (conforme informações do advogado da família, Cláudio Canezin), não foram encontrados junto ao corpo. O ponto que torna a história ainda mais complexa, segundo o delegado, é fato de que a caminhonete foi incendiada sem que fosse retirado nem ao menos o toca-CD. A falta de experiência e o medo de serem presos com o veículo da vítima, disse o delegado, podem ter levado os criminosos a queimarem a Dakota. (Colaborou Emerson Dias)

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