Cornélio Procópio O uso de telefone celular dentro do sistema carcerário deveria ser uma prática impensável em tempos de insegurança e combate ao crime organizado. Só que esse tipo de aparelho não é privilégio de quem vive fora de uma cela. Nessa semana, um radialista de Cornélio Procópio disse que entrevistou ao vivo pelo celular um preso da cadeia pública da cidade. Os detentos, segundo ele, estariam se queixando da superlotação do local e cobrando melhores condições na cadeia. A Polícia Militar (PM) diz que o uso de celular por presos é um problema comum em todo Estado.
Em todo tempo, o radialista teria conversado apenas com um preso, que servia como porta-voz de um grupo. ''Ele disse que do jeito que está não dá. Ameaçaram até começar uma rebelião. Pedem também melhoria na alimentação e transferência para a penitenciária de Londrina'', relatou o radialista Bruno Magalhães, que comanda o programa Cornélio Notícia, da Rádio Nacional AM.
A entrevista, segundo ele, aconteceu na quarta-feira, por volta das 13 horas. Duas horas antes, em frente ao pátio da delegacia, ele teria encontrado um bilhete no pára-brisa de seu carro com o número do celular de um preso. ''No bilhete, além do número, havia um pedido pra entrar com contato com uma pessoa que estava dentro da cadeia'', relatou Magalhães. ''Tivemos cinco conversas por telefone até conseguir marcar a entrevista''. O radialista afirmou que não tem dúvida de que conversou com um representante do presos. ''Isso não foi trote, eu tenho certeza de que a pessoa com quem eu falei está dentro da cadeia'', ponderou. No entanto, ele preferiu, como medida de segurança, não revelar o nome de sua fonte.
Segundo o tenente Marco Antonio Tordoro, comandante da 1 Companhia do 18º Batalhão da Polícia Militar, o uso de celular por presos é um problema comum em todo Estado. ''Isso não acontece somente aqui, é uma prática em quase todas da cadeias do Paraná''. Ele revelou que a polícia de Cornélio já apreendeu vários aparelhos dentro da carceragem. ''Passamos revista cotidiana e sempre encontramos alguma coisa''.
Ainda assim, o oficial recebeu com descrédito a informação de que um radialista tenha feito a entrevista ao vivo. ''É muito difícil comprovar se ele conversou realmente com um detento. Pode ter sido outra pessoa'', observou. O tenente contestou ainda a queixa da superlotação. Segundo ele, a cadeia, que tem 80 vagas de capacidade, acolhe atualmente 86 presos.
Na madrugada de terça-feira, por volta das 3 horas, houve uma tentativa de fuga. Cerca de 25 presos, divididos em duas celas, planejavam escapar por um buraco feito na parede. Houve confronto com a Polícia Militar, que usou armas com balas de borracha para conter o tumulto. Cinco detentos sofreram ferimentos leves. O tenente disse que a polícia vai apurar o caso e descobrir se algum aparelho foi infiltrado nos últimos dias.

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