Preso suspeito de estelionato em Curitiba
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Preso suspeito de estelionato e apropriação indébita de veículos, o proprietário da revendedora Indy Car, Savério+ Augusto Cretella, 52 anos, tem registrados mais de 40 inquéritos contra ele. Na manhã de ontem, cerca de dez clientes foram até a loja, no bairro Seminário, para tentar recuperar seus veículos -a maioria modelos de luxo- e documentos. Porém, o estabelecimento estava fechado.
Cretella foi preso na última segunda-feira. O titular do 9º Distrito de Polícia, delegado Ronald de Jesus, estima que cerca de 80 vítimas tiveram prejuízos, número que pode aumentar com a divulgação de sua prisão. "Quem se envolveu (com a venda e a compra de veículos) se transformou em vítima", afirma.
Muitas das vítimas são amigas de Cretella. Elas tentavam resolver o problema diretamente com o empresário e alguns iam diariamente à loja para tentar recuperar documentos e pagamentos.
O empresário Marlon Watanabe afirma que seu prejuízo chega a R$ 70 mil, em uma BMW que deixou para vender. Ele tenta resolver a situação há um ano, sem ter registrado boletim de ocorrência. Fábio Gomes aguardava por Cretella no momento em que o empresário foi preso. "Ele não saiu algemado, só disse vou resolver um problema e já venho, mas percebi que ele estava sendo preso e a primeira coisa que veio na minha cabeça foi vou perder meu carro", contou o empresário.
O gerente de uma loja de reparação de veículos também disse que foi prejudicado. Ele teria recebido cheques sem fundo da Indy Car. Em uma consulta pelo CNPJ da empresa, verificou que o comércio tinha uma dívida "que passa de milhão". "Deu tempo de perceber. Ele indicava clintes, quase todos os carros tinham problemas, aí ele indicava e dava o cheque", afirma Rodrigo Vieira dos Anjos.
Um cliente que não quis se identificar afirma que o proprietário não agiu de má fé. "Virou uma bola de neve. Ele não é mal intencionado, ele não estava foragido, estava todo dia aqui, tentando resolver", diz. Ele pagou à vista por um carro, mas não recebeu o recibo. "É má gestão e desespero, não má índole. Muitos tinham confiança, compravam carro sem ver e mandavam o dinheiro", afirma outro cliente, que não revelou o nome.
O delegado também acredita que o empresário administrou mal o negócio. "Ele se perdeu, mesmo sabendo que não ia cumprir com o compromisso.", afirma. Jesus explica que os donos de veículos que deixam os carros à venda assinavam um contrato de consignação, mas não recebiam recibos e os valores referentes à venda, que também não eram depositados em nome de Cretella. De acordo com o delegado, o empresário também utilizava dados cadastrais dos clientes para a compra de novos veículos, falsificava as assinaturas e ainda deixava alguns veículos em locais escondidos, o que caracteriza a apropriação indébita.
Os compradores também ficavam sem os documentos do veículo. Além de estelionato, o empresário foi indiciado por falsificação de documentos e ainda por formação de quadrilha. "Quero saber quem banca e quem é o agente de financeiro que faz financiamento em cima de financiamento", enfatiza.
Cretella permanece preso no 9º Distrito de Polícia. O delegado vai pedir novamente a prisão preventiva do suspeito, alegando que são mais de 40 inquéritos contra ele.
O advogado do empresário, Manuel Francisco de Paula, afirma que muitos dos casos registrados na delegacia já foram solucionados, porém, não comunicados aos representantes da delegacia. "A maioria já foi acertado", afirmou o advogado de defesa. Os defensores já fizeram o pedido de liberdade à Justiça e aguardam a resposta para ainda hoje. "Ele vai honrar todos os seus compromissos e ainda ajuizar as ações de quem deve a ele. Ele tem muito mais a receber do que deve", disse.
Para recuperar os veículos, os proprietários devem entrar com uma ação na Justiça Cível. Os carros que estão localizados na loja, bem como seus documentos, serão devolvidos aos donos.


