ReproduçãoO suspeitoFerreirinha: acusado de matar Júlio Marino e mais duas pessoas O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, já tem o nome do principal suspeito da morte do empresário Júlio Cesar Marino, dono do grupo Cotam. É Antônio Miguel Ferreira, 32 anos, conhecido como ‘‘Ferreirinha’’. Ele foi preso na última quinta-feira pela Polícia Civil de Marília (SP).
Ferreirinha também está sendo acusado de ter matado o empresário Luis Augusto Spila e o engenheiro químico Murilo Benicasa, ambos daquela cidade. Existe a suspeita de que as duas mortes em Marília estejam vinculadas ao tráfico de drogas. Com Ferreirinha foi apreendido um revólver calibre 38, do mesmo calibre que matou o empresário londrinense.
Wanderci Corral Fernandes disse ontem que a arma apreendida com Ferreirinha está sendo remetida para Londrina para exames de balística. Ele também confirmou que hoje pela manhã uma equipe da 10ª SDP vai a Marília para ouvir Ferreirinha.
J. Marino foi morto com quatro tiros em 18 de dezembro de 97, quando entrava com uma caminhonete na garagem de sua casa, no centro de Londrina. Desde o princípio das investigações a polícia trabalha com a hipótese de que o empresário foi executado, pela forma do assassinato: os tiros foram disparados praticamente à queima-roupa; nada foi roubado. Na mesma ocasião, o caseiro de Marino, Nelson Silva, foi ferido com um tiro na perna.
ReproduçãoO retratoImagem do assassino do empresário, feita pela Criminalística
O delegado operacional da 10ª SDP, Jorge Barbosa, que investiga o crime, afirmou na época que não ‘‘precisava de muita coisa’’ concluir que J. Marino foi executado por um criminoso experiente. Ele ressalta que o assassino atirou no caseiro sem a intenção de matá-lo, mas apenas para neutralizá-lo, enquanto que os tiros dados contra o empresário foram ‘‘certeiros e mortais’’. Após o crime, testemunhas viram o criminoso sair calmamente da residência e entrar em um veículo que tinha na direção uma mulher. Ela foi identificada pela polícia e está desaparecida.
O delegado regional de Marília, Moysés José Cocito, disse à Folha ontem, por telefone, que identificou Ferreirinha como o possível matador de J. Marino pelo retrato falado que recebeu da 10ª SDP. ‘‘Os traços e o tipo físico dele são iguais ao retrato falado que recebi.’’ O delegado destacou também que o suspeito tem um irmão também muito parecido com ele que está residindo na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil. ‘‘Trata-se de Sebastião Jorge Miguel Ferreira e sabemos que ele está morando em uma fazenda de propriedade de um londrinense, cujo nome estamos ainda levantando’’, afirmou o delegado.
O duplo homicídio em Marília ocorreu no dia 21 de setembro de 1996, quando Luis Augusto Spita e Murilo Benicasa praticavam cooper na Avenida das Esmeraldas, naquela cidade. Junto com Ferreirinha também foi preso o piloto de avião Edmundo Rocha dos Santos que, segundo a polícia, no dia do crime teria dado fuga a Ferreirinha. Os dois empresários de Marília foram mortos com tiros disparados à queima-roupa por uma pistola automática, com carregador para 21 tiros.
Conforme Moysés Cocito, Ferreirinha estava em uma motocicleta dirigida por Jalon Ivo de Barros Junior, comerciante em Marília e que está preso em Manaus (AM) por tráfico de cocaína. Ele seria o mandante do homicídio. Teria sido ameaçado de morte por Spila.
Spila teria entrado em um ‘‘consórcio de compra de cocaína’’ (ver matéria ao lado). Segundo a polícia, a droga desapareceu em um navio com bandeira da Libéria - país africano - quando era levada para a Europa. O delegado Moysés Cocito diz que Luis Spila teria perdido muito dinheiro no ‘‘consórcio’’. Ferreirinha foi preso em Ponta Porã (MS) e levado para Marília.

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