Rolândia - Uma tentativa frustrada de fuga foi o estopim para um início de rebelião na cadeia de Rolândia (25 km a Oeste de Londrina) no início da tarde de ontem. Por volta das 14 horas, um dos menores que estão detidos juntamente com presos adultos, simulou uma crise de bronquite e pediu que fosse levado a um pronto-socorro. Como nada foi diagnosticado pelo médico, o policial que o acompanhava desconfiou e, ao revistá-lo, encontrou uma chave mixa, que provavelmente seria utilizada para abrir as algemas. O plano abortado, segundo o delegado substituto Edmo José Ermenegildo, motivou a rápida reação dos presos de uma das celas, que fica separada das demais.
No chamado X10, havia 12 presos na hora da confusão. Foram queimados colchões, a torneira do banheiro foi quebrada e utensílios de uso pessoal como ventiladores e talheres foram destruídos. ''Tremia tudo. Acho que as paredes não foram para o chão porque a estrutura do prédio é muito forte'', avaliou o escrivão João Dejanir de Araújo Borges.
A reivindicação dos presos era que fossem levados para as outras celas. ''Disse a eles que é impossível, não tem espaço'', explicou Ermenegildo. Outra reivindicação era que os já condenados fossem tranferidos para uma penitenciária.
A delegacia de Rolândia tem capacidade para 40 presos. No momento do motim ela abrigava 101, e no final da tarde chegou mais um, aumentando ainda mais a superlotação nas 10 celas existentes. O forte barulho no interior do prédio durou cerca de uma hora e meia, e não foi preciso a intervenção da Polícia Militar, que passou a tarde de prontidão no lado de fora. Pouco antes das 18 horas os policiais entraram nas celas para uma revista, mas nada foi encontrado.
Entre os funcionários da delegacia, a rebelião já vinha sendo esperada. ''Estamos enfrentando a superlotação há uns quatro anos. Todo dia a gente vem para cá esperando alguma coisa'', desabafou o escrivão Borges, lembrando que na última vez em que se rebelaram, em meados de março, os presos tomaram um policial civil de refém. Ontem, segundo o delegado, a segurança da delegacia seria mantida como sempre, com apenas um investigador trabalhando durante a noite.

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