Condenado a quatro anos de prisão por assalto, Sebastião Geraldo de Oliveira, 42 anos, quer provar que é inocente e pretende doar um rim ao advogado que aceitar defendê-lo. O crime teria ocorrido no dia 28 de janeiro de 1999, em Apucarana. Era aniversário da cidade e Sebastião foi detido por volta das 22 horas quando caminhava pelas ruas do centro.
Ele alega que dois policiais o levaram em uma viatura para um distrito policial, onde estava a mulher que tinha registrado o assalto. ‘‘Ela disse que eu era muito parecido com a pessoa que a tinha assaltado’’, afirma Oliveira. ‘‘Veja bem, ela disse que era muito parecido, mas não afirmou que era eu’’. Segundo ele, os policiais ‘‘forjaram’’ um flagrante para prendê-lo.
‘‘Não sei que flagrante é esse. Quando fui preso eu só estava de shorts, chinelo e com a camiseta pendurada nas costas. O ladrão teria roubado da mulher uma pulseira, uma corrente de ouro e R$ 30,00.
Oliveira não sabe o nome da mulher que registrou a queixa. ‘‘Nunca me deixaram ver o boletim de ocorrência e nenhum advogado do Estado me procurou para ouvir a minha versão’’. Ele conta que desde que começou a divulgar na delegacia que iria doar um rim em troca dos serviços de um advogado de defesa, dois profissionais estiveram na cadeia de Mandaguari (33 km a leste de Maringá), onde ele está preso. ‘‘Mas eles vieram aqui, ouviram a minha história e nunca mais voltaram’’.
Segundo Oliveira, além da cor – ele é negro – o que mais pesou para a sua prisão e condenação é o fato dele já ter sido condenado pela Justiça de São Paulo. Em 1999, quando ocorreu o assalto em Apucarana, Oliveira cumpria pena condicional. Ele havia sido condenado a 21 anos de prisão por uma série de assaltos cometidos no interior de São Paulo. Oliveira cumpriu pena de 1980 a 1995 e depois pegou seis anos de condicional.
‘‘Eu já estava há quatro anos na condicional e quando fui preso em janeiro de 1999, eu estava trabalhando na rede ferroviária e ganhava cerca de R$ 300,00 por mês’’, garante. Oliveira afirma que um irmão dele teve acesso à sentença do juiz que o condenou a mais quatro anos de prisão pelo assalto que ele teria cometido em Apucarana. ‘‘Meu irmão me disse que o juiz justifica que a pena é pelo assalto e pelo meus antecedentes’’, explica. -
Oliveira argumenta que os crimes que cometeu no passado no interior de São Paulo como conseqÜência da falta de maturidade. ‘‘Naquela época eu tinha 18 anos e realmente fiz um monte de besteiras, mas paguei por elas. Só que no caso do assalto à senhora em Apucarana não fui eu, por isso não aceito esta sentença’’. ‘‘Para quem já cumpriu 15 anos de prisão nas penitenciárias de São Paulo, cumprir mais quatro anos não é nada, mas o fato é que eu tenho que provar que não fui eu que pratiquei o assalto’’.
A doação do rim, conforme Oliveira, foi a única forma encontrada por ele para pagar um advogado de defesa. ‘‘Sei lá, de repente o advogado pode conhecer alguém que precise de um rim para transplante e se interesse pela minha causa’’, justifica. Oliveira perdeu a mãe aos 15 anos. Nos quatro anos que cumpria pena condicional ele diz que morava com uma mulher em Apucarana.

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