O agricultor Reni Armando Callegaro, 36 anos, preso por policiais militares sob acusação de integrar quadrilha que roubava carros, foi transferido ontem da cadeia de Santa Helena (117 km de Cascavel) para cela do Departamento de Polícia Federal em Foz do Iguaçu. Segundo a Polícia, Callegaro roubava carros no Brasil e passava-os para o Paraguai pela fazenda de sua família, à margem do lago de Itaipu.
Segundo os advogados de Callegaro, a transferência foi solicitada porque em Santa Helena ele corria risco depois de denunciar ter sido torturado pelos policiais.
Callegaro foi escoltado até Foz acompanhado da advogada Ana Pereira. No dia anterior ele foi ouvido pelo juiz Cláudio Camargo dos Santos, em Santa Helena, especificamente quanto à violência a que teria sido submetido para confessar envolvimento com o crime organizado.
Na fazenda foram encontrados três Santanas e dois Gols, todos ano 96, roubados em São Paulo. Segundo oficiais dos grupos Águia e de Operações Especiais da PM, Callegaro confessou naturalmente o envolvimento.
Os advogados de Callegaro estão impetrando habeas-corpus porque apontam irregularidades em sua prisão. ‘‘Ele foi simplesmente sequestrado, sem nenhum flagrante’’, afirma Ana Pereira.
A promotora Vera Guiomar Moraes pediu que fossem feitos novos exames por legista em Cascavel, o que ocorreu no final da tarde de anteontem. O laudo ficará pronto na semana que vem. Segundo Carlos Esteves, o envolvimento de Callegaro com o roubo de carros ‘‘é outra questão, que fica para ser discutida no mérito do processo’’.

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