Preso por estupro é espancado em DP
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terça-feira, 22 de abril de 1997
Da Redação 
Mário CésarAgressãoSilvério Pereira de Souza ontem na 10ª SDP: depois de passar pelo IML e ser apresentado à imprensa, foi levado a um hospitalSilvério Pereira de Souza, 31 anos, acusado de estuprar a menor D.V.S., 13 anos, foi espancado na noite de anteontem por outros presos do 2º Distrito Policial de Londrina. Ele dividia a cela com onze detentos e sofreu escoriações em diversas partes do corpo. Na manhã de ontem, ele foi encaminhado pelo delegado José Antônio Zuba ao Instituto Médico de Londrina, para fazer exame de lesões corporais, e depois permaneceu internado num hospital da Cidade em observação.
Mesmo bastante machucado, o preso foi apresentado ontem à imprensa, na 10ª Subdivisão Policial de Londrina, logo após sair do IML. Ele apresentava lesões por todo o corpo, principalmente nas costas, e caminhava com muitas dificuldades. Há suspeita que tenha sido violentado. Silvério Pereira de Souza não quis falar com os repórteres.
O delegado do 2º DP, José Antônio Zuba, diz que há uma lei entre os presos em que os estupradores são espancados e violentados por seus companheiros de cela. Ele reconhece que o certo teria sido isolar o acusado por estupro, mas ressalta que não há cela vazia para isolamento.
Segundo Zuba, a agressão sofrida por Souza é consequência da superlotação dos distritos policiais de Londrina. E acrescentou que, se Souza voltasse ao DP, não teria outra alternativa senão colocá-lo de novo nas celas. Atendo tudo na medida do possível.
Se houvesse vaga, ele seria separado mas do jeito que está não é possível, acrescentou o delegado-chefe do 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro. Ao contrário de Zuba, ele acredita que não é possível prever este tipo de ocorrência, mesmo se tratando de estupradores. Nós temos duas pessoas que foram presas por estupro na Cidade e não há problemas. Outros presos também passaram por aqui, por esse mesmo crime, e não aconteceu nada. Então não dá para imaginar.
Leonyl disse que a apresentação do preso foi feita porque havia pessoas achando que a polícia estava querendo escondê-lo. Questionado sobre a responsabilidade do Estado pela integridade física dos presos, Leonyl afirmou: A lei é fácil de fazer. Mas não temos meios para cumpri-la.
O delegado pediu abertura de inquérito para apurar quem são os agressores e em que tipo de crime eles serão enquadrados. Ainda segundo Ribeiro, certamente Souza será encaminhado para outro distrito policial de Londrina assim que sair do hospital.
O espancamento do preso repercutiu mal na Cidade. A garantia da integridade física tem que ser resguardada em qualquer situação, criticou a vereadora Elza Correa, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Ela disse que iria reunir a comissão e visitar hoje o 2º Distrito para colher detalhes do que realmente aconteceu. A violência, de qualquer natureza, é condenável. Não importa se o rapaz é estuprador ou não. Tortura é crime.
O promotor criminal Eduardo Chagas Lima, de plantão no Fórum ontem à tarde, preferiu não comentar o caso. Ele disse que colheria maiores detalhes para ver se era cabível uma ação do Ministério Público.
(Lúcio Horta e Adriana De Cunto)


