Paulo Ubiratan
De Londrina
O juiz da 4ªVara Criminal de Londrina, Arquelau Araújo Ribas, relaxou ontem à tarde a prisão do caminhoneiro Paulo Cesar dos Santos, 38 anos, acusado de ter participado no assalto da empresa da Proforte Transporte de Valores, de onde foram roubados R$ 4 milhões. O assalto ocorreu em 3 de setembro do ano passado. Paulo Cesar estava com prisão preventiva decretada desde o dia 6 daquele mês, quando foi preso pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Agora ele vai esperar o julgamento em liberdade. O acusado não quis falar com a Folha.
Segundo o advogado Pedro Augusto Bueno, o juiz Arquelau Ribas assinou o alvará de soltura em virtude da prisão de Paulo Cesar ter sido feita arbitrariamente, já que não existia nenhuma prova da participação no roubo da Proforte. A denúncia teria sido feita pelo outro acusado, Vagner Ribeiro Domingues, que foi o primeiro a ser preso pelo Cope, em uma praia no litoral do Paraná. Pedro Augusto disse que seu constituinte foi preso em Figueira (Norte Pioneiro) onde também morava o acusado de ser chefe da quadrilha, Marcelo Moacir Borelli.
‘‘Os policiais disseram na Justiça que Paulo Cesar dos Santos foi espontaneamente para Curitiba e no caminho foi surpreendido com o revólver calibre 38 que trazia escondido sob roupa. Ele foi sequestrado de sua casa e levado à força para Curitiba’’, afirma o advogado.
Pedro Augusto garante ter fotos que mostram como os policiais do Cope quase destruíram a casa de seu cliente. ‘‘O revólver foi encontrado na mesma casa, quando eles tentavam descobrir alguma prova contra ele’’. O advogado disse que o acusado ficou preso no Cope, desde o dia 6 de setembro e apenas no dia 8 foi apresentado à Justiça. ‘‘Durante estes dois dias ele apanhou e foi torturado para assinar a confissão de sua participação no assalto’’.
O advogado pretende provar a inocência do acusado, pois no dia do assalto ele estaria em um hospital em Figueira assistindo ao nascimento do filho. O defensor garante que possui oito testemunhas que viram o seu cliente no hospital no dia do assalto. Paulo Cesar é o segundo acusado que vai esperar o julgamento em liberdade. O outro foi o empresário Osvaldo Cestário, que teria dado apoio à quadrilha mantendo os reféns em um barracão perto de sua oficina na zona oeste de Londrina.
Segundo a polícia, mais de 15 pessoas participaram no roubo. Eles mantiveram a família de três funcionários em cativeiro até a execução do assalto. Os quadrilheiros usavam armas de grosso calibre e sofisticado esquema de comunicação entre eles. O valor roubado não foi recuperado pela polícia e apenas quatro suspeitos chegaram a ser presos. Segundo a polícia, Moacir Borelli teria fugido de avião para o Mato Grosso do Sul. Os processos tramitam na Justiça e estão em última fase, ouvindo as testemunhas de defesa.

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