Os corpos do motorista de táxi Sidney Carneiro, 30 anos, e sua filha Suelen Carneiro, de 5 anos, jogados vivos no Rio Iguaçu em Chopinzinho (46 km ao norte de Pato Branco), na noite de segunda-feira, não haviam sido encontrados até o final da tarde de ontem. É possível que eles apareçam boiando nas próximas horas. Ontem a Polícia Militar (PM) prendeu outro autor do crime, Itacir Paulo dos Santos, 25 anos; no dia anterior, havia sido preso o menor E.C., de 17 anos. Os dois roubaram o táxi de Carneiro, um Del Rey ano 90, que acabou sendo abandonado.
A Polícia Civil (PC) investiga a possibilidade de Itacir Paulo dos Santos ter usado uma pistola de brinquedo para dominar o taxista e sua filha, na noite de segunda-feira, quando pediram uma corrida para a zona rural de Chopinzinho com a intenção de roubar o carro. O próprio Itacir Paulo dos Santos disse que a arma que usava era falsa, e que a jogou no rio. O investigador Clodomir José de Bonfim, de Chopinzinho, disse ontem à tarde ser possível a hipótese, porque, se fosse uma pistola de verdade, ‘‘eles teriam atirado nas vítimas, e não jogado no rio’’.
Os crimes aconteceram em uma ponte na BR-373, entre os municípios de Chopinzinho e Candói. Os assaltantes obrigaram Sidney Carneiro a se jogar, e a seguir jogaram a menina, de uma altura de 30 metros, onde a água tem profundidade de mais de 30 metros. Nenhum dos dois sabia nadar. Sidney era casado com Salete Burtoli, 33 anos, e pai de outra menina, de 5 meses, nascida de relacionamento com outra mulher. Quando fazia corridas um pouco mais longas, à noite, ele geralmente levava junto Salete ou Suelen. Na segunda-feira, Sidney estava em casa, quando foi chamado pelo telefone para prestar o serviço a Itacir e E.E..
Os assaltantes haviam ido ao ponto de táxi que estava vazio. O funcionário de uma funerária ao lado ligou para a casa de Sidney que veio buscar os ‘‘passageiros’’. No meio da corrida, os assaltantes tomaram a direção, seguiram para o Rio Iguaçu e, sobre uma ponte, obrigaram Sidney a se jogar na água. Em seguida jogaram a menina. Depois, abandonaram o carro por ser muito velho. E.E. foi preso pela PC na vizinha cidade de Coronel Vivida, e Itacir pela PM de Laranjeiras do Sul, na periferia da cidade. Itacir foi transferido para a cadeia de Pato Branco, onde já estava E.E..
O taxista e a filha foram mortos porque facilmente reconheceriam os assaltantes. Em entrevistas, Itacir disse que os crimes ‘‘não têm perdão’’ e que ele próprio mereceria ‘‘pagar com a vida’’. A PC informou que o menor é primário, mas Itacir tem várias passagens por roubo, assalto e favorecimento à prostituição. No final da tarde de ontem, cerca de 100 taxistas da região realizaram manifestação exigindo ‘‘justiça’’. A cadeia de Pato Branco está sob forte vigilância pois há boatos de linchamento.

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