O agropecuarista de Apucarana Vanderlei Carlos Rechi, 29 anos, que em outubro de 1994 provocou um acidente automobilístico que resultou na morte de seis pessoas, foi preso em Rolândia ao apresentar-se em juízo. Em junho deste ano, depois de 40 dias preso, o advogado de Rechi conseguiu a revogação da prisão preventiva. Mas um recurso apresentado no Tribunal de Justiça pelo promotor Hideraldo Real acabou restaurando a prisão do agropecuarista, que foi reconduzido à cadeia.
O acidente causado por Rechi aconteceu na madrugada do dia 12 de outubro de 1994, quando ele e mais quatro pessoas retornavam para Apucarana depois de terem participado de uma festa em Rolândia. No trecho da BR-369 entre Rolândia e Arapongas, Rechi, que dirigia o Ômega placas AVF-0987 em alta velocidade, invadiu a pista contrária e bateu de frente com o Opala placas ADD-7881.
No local da colisão morreram Jéferson Fernando Boiça, 21 anos, e Sheila Cristine Saragoza, 17 anos, que viajavam no Ômega. Do Opala morreram Altamar de Souza Mostácio, 38 anos, Letícia Leite Santos, 21 anos, e Ana Cristina Putkammer, 18 anos. O motorista do Opala, Oswaldo Mostácio, 46 anos, morreu dias depois num hospital de Arapongas.
Os sobreviventes do acidente - que reduziu os dois veículos a um amontoado de latas e ferragens retorcidas - foram o próprio Vanderlei Carlos Rechi e as irmãs Elizabete, 17 anos, e Patrícia Rezer Cavalheiro, 16 anos, que viajavam com ele; além do garoto Alexandre Mostácio, 11 anos, todos com ferimentos graves.
O comerciante londrinense Júlio Cézar Isaka, que dirigia outro veículo e vinha atrás do Opala, testemunhou o acidente. Segundo ele, o condutor do Ômega dirigia a 150 km por hora.
A prisão - O promotor Hideraldo Real, da Comarca de Rolândia, justificou o pedido de prisão preventiva do agropecuarista argumentando que Rechi começou a criar dificuldades para ser interrogado desde a fase do inquérito policial.
‘‘Também levei em conta a gravidade do fato, já que no acidente causado por ele foram mortas seis pessoas e outras ficaram gravemente feridas’’, disse o promotor, informando que Rechi foi denunciado por homicídio doloso. ‘‘Porque, no mínimo, com sua conduta irregular, teria assumido o risco de matar estas pessoas’’.
Nas próximas semanas devem ser ouvidos depoimentos de duas testemunhas de acusação e uma da defesa. ‘‘Após a oitiva destas testemunhas, a Justiça irá avaliar se Rechi deve ou não ser levado para julgamento em júri popular’’, informou o representante do Ministério Público.
Na comarca de Apucarana, onde residia o agropecuarista, parentes das vítimas ingressaram com quatro ações de indenização pedindo, ao mesmo tempo, o bloqueio preventivo de bens de Vanderlei Carlos Rechi. As ações resultaram no bloqueio de três fazendas de gado localizadas em Nova Andradina (MS).

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