Preso no Manicômio Judiciário, Jiló nega assassinato de irmãs
Mauro FrassonBelmiro dos Santos tem perfil de psicopata, segundo laudoÀs vezes a violência contra os menores é praticada por pessoas de confiança da família. O catador de papel Belmiro dos Santos, 32 anos, o ‘‘Jiló’’, ganhou fama na crônica policial da capital depois de ser acusado da morte, por estrangulamento, de duas irmãs nos anos de 1997 e 1998. Ele trabalhava com o pai das crianças. O catador também é apontado como responsável pelo estupro de uma menina de 10 anos em 1988. Belmiro aguarda julgamento ou a consideração de inimputável pela Justiça por ser doente mental. Ele está preso no Complexo Médico Penal do Paraná, localizado em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba.
Belmiro tem o perfil de um psicopata. O delegado titular do Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert, que investigou as mortes das irmãs Tatiane Alves, 3 anos, e Fabiane, 6 anos, diz que ele possui um comportamento volúvel que pode variar de dócil a violento em poucos segundos, principalmente com crianças. Vestido com roupas surradas e aparentando ser bem mais velho do que sua atual idade, Belmiro recebeu a Folha na última sexta-feira para conversar sobre as mortes das irmãs.
Em nenhum momento o catador admitiu ter cometido qualquer crime. Com relação aos casos das irmãs Tatiane e Fabiane, que moravam na Vila Parolin, em Curitiba, ele acusa o companheiro de trabalho, Saulo Nogueira, 46 anos. ‘‘Nunca fiz mal a ninguém’’, diz ele, que é epilético e toma altas doses de Gardenal para controlar o sistema nervoso. Belmiro diz que se tivesse matado Fabiane Alves no dia 20 de junho do ano passado, trataria de desaparecer o mais rápido possível. O corpo da menina foi encontrado num tonel de um depósito de papel onde ele e os pais da garotinha trabalhavam. ‘‘Se eu matasse não ia ficar naquele depósito. Os pais dela confiavam mais em mim do que no Saulo’’, diz.
Apesar da ‘‘confiança’’ que Belmiro alegava ter com os pais, o catador diz que preferia se manter afastado delas. ‘‘Eu gostava das crianças, mas não brincava com elas’’, afirma. No caso do estupro cometido contra uma menina de 10 anos, Belmiro ficou internado no Complexo Médico Penal entre fevereiro de 1988 a novembro de 1993. Cumpriu pouco mais de quatro anos - sua condenação total - e foi colocado em liberdade. Ele também alega inocência. Um laudo psiquiátrico atesta que Belmiro é considerado ‘‘incapaz de compreender o que fez’’.
Apesar dos problemas que causou, Belmiro é considerado um interno de bom comportamento no Complexo Médico Penal. Ele passa os dias dando banho em outros internos e empurrando cadeiras de rodas de presos incapacitados. Ao sair da sala, o catador jura inocência. ‘‘Vou ter que pagar por esse crime que não cometi?’’.(D.V.)

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