O bóia-fria Carlos Eduardo Correia, 21 anos, morreu na manhã de ontem no Hospital Municipal de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) após sofrer graves queimaduras enquanto esteve preso durante algumas horas em uma cela da delegacia local no domingo.
A causa da morte só será conhecida após a divulgação do laudo do Instituto Médico Legal e do Instituto de Criminalística de Londrina, que enviou peritos para analisar o local do incêndio. A família acusa a Polícia Civil de negligência. ‘‘Porque eles não salvaram meu irmão? Era só abrir a cela e estava resolvido. Nós vamos processar os responsáveis porque ninguém pode morrer na cadeia deste jeito’’, disse Wagner Aparecido de Andrade, 23 anos, irmão da vítima.
Por determinação do comando da 10ª Subdivisão Policial, Luiz Carlos Azevedo, delegado de Bela Vista do Paraíso, munícipio vizinho de Sertanópolis, vai presidir o inquérito que investigará o incidente. Azevedo disse à Folha que ouvirá todos os envolvidos no fato gerador da prisão, o servidor municipal que trabalha na delegacia, a única pessoa que estava no prédio além de dois presos que estavam em outra cela e um investigador que socorreu a vítima durante o incêndio.
A família afirma que Carlos Eduardo não estava bêbado quando foi detido. Já o delegado de Sertanópolis Airton Simplício garante que o bóia-fria foi colocado na cela por estar embriagado e impossibilitado de depor.
O bóia-fria já havia sido autuado uma vez por desacato a um juiz de direito. Desta vez, a detenção ocorreu após sua irmã Jeizebel Correia, 18 anos, o acusá-lo de agressão física.

mockup