Preso mais um acusado no caso Kusma
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
José Aparecido de Castro foi preso no início da semana como um dos principais suspeitos pelas mortes do agricultor russo Kusma Ovchinnikov e de seu filho Sava, de 2 anos e meio. A prisão foi feita pela equipe do delegado operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Valdir Abrahão.
Castro foi denunciado por Divino Aparecido de Lima, conhecido como Maringá, também envolvido na morte de agricultor. O suspeito preso durante a semana teria o apelido de Reis.
O crime ocorreu na noite de 26 de junho, quando Kusma pretendia comprar o caminhão do policial civil Jovacir Pereira Junior. O caminhão Mercedes Benz, ano 94, estava estacionado em um posto na avenida Tiradentes (zona oeste). No local, dois ladrões obrigaram o russo, a esposa Evdokia Ovchi e o filho Sava a entrar no Corsa da família. Um dos ladrões, Vanderlei Soares, conhecido por Vaga-Lume teria assumido a direção do veículo ao lado de Evdokia. Maringá teria sentado atrás com Kusma e o filho menor. O russo teria reagido ao assalto no interior do veículo e, perto do trevo de Cambé e Londrina, o assaltante Maringá matou pai e filho. A arma de Kusma falhou quando ele tentou atirar contra os ladrões.
Segundo denúncias contidas no processo, o policial Jovacir havia proposto aplicar o golpe do chute em Kusma. O golpe planejado seria o seguinte: primeiro, seria fechado o negócio, que renderia dois automóveis e US$ 20 mil. Depois, Jovacir aparececia como policial, alegando alguma irregularidade, e com o dinheiro da venda tomaria o caminhão de volta. Segundo Jairton da Silva Aleixo, acusado como o intermediário do negócio, os assaltantes teriam atravessado o plano e cometido os homicídios.
José Aparecido de Castro negou na polícia que tenha o apelido de Reis. O delegado Valdir Abrahão disse que o veículo Passat, que estava com o acusado, é o mesmo carro que foi usado para os ladrões chegarem até o posto onde esperava o russo. Ele até pode não ser o Reis, mas deve ter uma ligação muito próxima com o crime, afirmou. Na próxima terça-feira, Divino Aparecido de Lima, o Maringá, será levado até a cadeia de Cambé, para ser acareado com Castro. O crime tramita na Justiça daquela cidade.
Jairton e Maringá estão presos na cadeia de Cambé. Castro está preso no 4º Distrito Policial de Londrina. Maringá está com ferimento grave na perna, devido ao tiro que recebeu da própria arma quando entrou em luta com Kusma. Vaga-Lume está foragido e tem sua prisão preventiva decretada pela Justiça. Jovacir está em liberdade.
A Justiça desmembrou o processo sobre o caso Kusma em três partes . Na primeira parte, serão julgados os réus presos: Jairton, Maringá e Castro. Na segunda parte do processo será julgado Jovacir. Na terceira, Vaga-Lume.
Em 17 de dezembro serão ouvidas as testemunhas de defesa dos réus presos. Para dar continuidade ao processo, a Justiça espera que Jairton contrate um novo advogado.
Além do processo criminal, o policial civil Jovacir Pereira Júnior responde a processo administrativo. Outro policial, Luís Claúdio Xavier, foi acusado de estar envolvido no caso, mas não foi denunciado na Justiça. Luís Cláudio teria intermediado o negócio do caminhão com Jairton. Os dois já foram ouvidos no inquérito e negam qualquer envolvimento com a morte de Kusma.
Em um levantamento feito no aparelho de recados eletrônicos (bip) de Jairton, consta que os dois policiais civis passaram recados para ele.
No processo disciplinar, Jovacir também é acusado de possuir uma empresa de transporte, o que é proibido pelo Estatuto da Polícia. Segundo a norma da corporação, o policial deve ter dedicação exclusiva à sua função.


