O promotor João Milton Salles, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), disse ontem que Orlei José Martins, 23 anos, assassinado na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), já havia denunciado que sofria ameaças de morte.
‘‘No depoimento que me prestou, no ano passado, ele me disse que iria morrer. Evidentemente ele corria risco de vida porque sabia demais. Ele era testemunha em quase todos os processos contra Caboclinho’’, afirmou o promotor. Salles foi o promotor que iniciou as investigações contra o empresário Joarez França Costa, o Caboclinho, em Rio Branco do Sul. Caboclinho, que está preso em Curitiba, é acusado de tortura, homicídios e de ser um dos maiores donos de desmanches de veículos roubados no Estado.
Salles disse que as testemunhas dos principais casos envolvendo Caboclinho estão morrendo aos poucos. ‘‘Pode até ser uma grande coincidência, mas não nos restam muitas testemunhas agora’’, admitiu. Outras duas testemunhas contra o empresário já foram mortas: Paulo Fernando Miranda, o Cristo, e Joel de Souza.
O promotor destacou que o processo de tortura contra Caboclinho vai correr com muita dificuldade com a morte de Orlei Martins. Ele, Cristo e Gelenoir de Oliveira eram as principais testemunhas do caso – que envolveria desde o delegado Hilário Trigo (afastado do cargo) até o promotor de Rio Branco do Sul, Salvari Amâncio.
O único que continuaria vivo seria Gelenoir de Oliveira, que fugiu da Delegacia de Rio Branco do Sul em julho do ano passado. ‘‘Quem pode garantir a integridade física dele e se ele realmente vai depor?’’, questionou Salles. Ele disse que contará apenas com os depoimentos já prestados no decorrer das investigações.

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