Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Um investigador da Polícia Civil de Curitiba foi preso em Foz do Iguaçu dirigindo um carro importado roubado, que seria transportado de balsa para o Paraguai pelo Lago de Itaipu. Outras duas pessoas também foram autuadas em flagrante, acusadas de participar da quadrilha.
Joaquim Arcísio Alves, 36 anos, trabalha como policial desde 1994, mas estava afastado do serviço desde setembro do ano passado, por suposto envolvimento com roubo de veículos.
Ele conduzia um automóvel Mercedes Bens, roubado no dia 16 de janeiro em Campinas (SP), por uma estrada vicinal que liga um bairro da região norte de Foz a um pequeno porto improvisado no reservatório da hidrelétrica. O veículo tem o comprovante de importação registrado em Curitiba (placas CLT-9292), mas no momento da apreensão estava com placas falsas de Cambé (AGH-3844).
Policiais que investigavam o local há vários dias deram voz de prisão a Alves, que reagiu atirando contra os agentes. Depois de ferido na cabeça e na mão esquerda, o suspeito se entregou e disse que outros dois integrantes da quadrilha estariam vindo buscá-lo. Quando chegaram (estavam em um Opala branco), houve nova troca de tiros, o que resultou em mais um ferido no braço esquerdo.
Junto com Alves, a polícia prendeu Roberto Carlos Santos, de 20 anos, José Carlos Barroso, 36, e o balseiro, que foi liberado em seguida. Um levantamento dos antecedentes criminais de Barroso mostrou que ele possui uma ficha criminal com seis páginas de processos em andamentos e uma condenação de oito anos por furto, determinada pelo juiz da Comarca de Pérola (50 km a oeste de Umuarama). Junto com Barroso, também foi encontrado cerca de cinco gramas de maconha.
Os acusados disseram que o carro seria vendido no Paraguai, mas não comentaram o valor da transação. Todos foram autuados por receptação de veículo e formação de quadrilha.
O delegado-chefe da Polícia Civil de Foz, Luiz Fernando Artigas, confirmou que Alves havia sido encaminhado no final do ano ao Grupo Auxiliar de Recursos Humanos da corporação em Curitiba, setor que acompanha os agentes enquanto os processos administrativos internos estão em andamento. ‘‘Estamos investiganto a possibilidade de outros veículos terem sido transportados pela fronteira’’, comentou Artigas, lembrando que dos 11 veículos furtados na região durante a semana passada, somente seis foram recuperados.

mockup