Preso grupo acusado de sequestros
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quinta-feira, 28 de outubro de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A polícia do Paraná ajudou policiais de São José do Rio Preto (SP) a desmantelar uma quadrilha de sequestradores que havia feito dois empresários paranaenses de reféns. Nove pessoas foram presas e os reféns foram resgatados ilesos. Gilberto Pereira, 39 anos, apontado pela polícia como líder do grupo, era foragido da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP) e respondia a processo pela mesma prática criminosa, em Curitiba. O estouro do cativeiro aconteceu por volta das 21h30 de quarta-feira. Os nomes dos empresários não foram divulgados.
Além de Pereira, foram presos o paranaense Luiz Atalaia da Costa, 54 anos, Cleiton Donizete Teixeira de Jesus, 22, Manoel da Silva, 25, André Luiz Tomé da Silva, 20, Jelson José da Silva, 24, Lourival Claudino Brasil, 49, Ezequiel José de Souza, 29, e sua mulher Fabiane Consuelo de Souza, 19. Com o grupo a polícia recuperou dois cheques administrativos de R$ 28 mil e R$ 30 mil. Segundo a polícia, ao todo, os familiares de um dos empresários pagaram R$ 65 mil pelo resgate. O restante do dinheiro R$ 7 mil não foi localizado. Também foram apreendidos um Gol, uma caminhonete Ranger, uma moto e uma Pajero, pertencente a uma das vítimas.
O delegado coordenador do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais (Tigre), Riad Farhad, contou que o marido de uma das vítimas avisou a polícia de São Paulo. O delegado do Grupo Anti-sequestro de São José do Rio Preto, Alceu Lima de Oliveira Júnior, fez contato com Farhad para trocar informações sobre a forma de agir da quadrilha.
Farhad participou das investigações que, em março deste ano, resultaram na prisão de 14 pessoas que sequestravam, em Curitiba, empresários de outros estados. A quadrilha já havia praticado mais de 50 sequestros que teriam rendido perto de R$ 12 milhões. Entre os presos, estava Gilberto Pereira. Ele fugiu da PEP, em maio deste ano, e teria organizado um novo grupo em São Paulo. Segundo o delegado, ele teria pagado R$ 200 mil pela fuga.
Farhad disse que os dois empresários foram atraídos com a promessa da venda de um lote de madeira a um preço inferior ao de mercado. Era dessa forma que a quadrilha também agia em Curitiba: avaliava o preço das mercadorias, que variavam de acordo com o ramo do empresário escolhido como vítima, e fazia uma oferta tentadora. Depois de receber o resgate, soltavam a vítima com a orientação de que ela tomasse o primeiro táxi que aparecesse em direção ao aeroporto para voltar para casa. Segundo a polícia, o taxista era Pereira que, no caminho até ao aeroporto, ao ouvir o relato do sequestro, fazia um ''terrorismo psicológico'' para que a vítima desistisse de avisar a polícia e fosse embora, pois os próprios policiais estariam envolvidos com a quadrilha.
Em Curitiba, foram sete meses de investigação até que o primeiro empresário denunciasse o sequestro. Já em São Paulo, a operação durou pouco mais de 12 horas entre o primeiro contato com a polícia paranaense e a prisão dos envolvidos. Segundo Oliveira Jr., as quatro primeiras pessoas presas estavam em uma lanchonete, no Centro de São José do Rio Preto, fazendo a partilha do dinheiro. Os quatro acabaram entregando os demais integrantes e a localização do cativeiro. A operação de estouro do cativeiro, segundo o delegado, foi tranquila. Nenhuma arma foi encontrada com os sequestradores.


