Preso era sem-teto do Fazendinha
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
As sete pessoas detidas na última sexta-feira, depois da tentativa de invasão de outro terreno na Rua João Dembinski, no bairro Fazendinha, em Curitiba, faziam parte do grupo de sem-teto que está acampado na calçada desde outubro do ano passado, quando foram despejados do primeiro terreno pela Polícia Militar (PM). Na ação, várias pessoas ficaram feridas, incluindo um cinegrafista.
Desde então, algumas famílias moram na calçada em frente ao local, em barracos improvisados na calçada.
A informação de que os presos faziam parte do grupo de sem-teto foi confirmada pela Polícia Civil, pela Prefeitura Municipal de Curitiba, proprietária da área onde a nova tentativa de grilagem ocorreu, e pelos próprios sem-teto. Cerca de 40 pessoas tentaram ocupar o terreno e foram impedidos por homens da Guarda Municipal.
Dos sete detidos, seis foram liberados pela polícia ainda na sexta-feira. O último homem, Ademir Erig, 28 anos, continuou preso por ser foragido da polícia e ter três mandados de prisão. O superintendente do 8º Distrito Policial, Jahfar Sadek, informou que Erig foi enviado para o Centro de Triagem II, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
De acordo com Sadek, Erig e os outros invasores faziam parte do grupo que ainda permanece acampado na calçada.
Os próprios sem-teto confirmaram a informação. Segundo moradores, porém, os homens detidos não estavam no local para invadir o terreno da prefeitura. De acordo com os sem-teto, a tentativa da nova ocupação foi organizada por outras pessoas, que não fariam parte do grupo. "Cinco daqui foram detidos. Eles foram lá ver o que estava acontecendo e acabaram pagando", disse à reportagem uma moradora que não quis se identificar.
Hoje, entre 30 e 35 famílias vivem no local. Há pouco mais de um mês, os sem-teto contabilizavam 100 famílias. Na época da invasão, em setembro de 2008, eram cerca de 600. Aos poucos, mais gente vai deixando a calçada. Por meio de sua assessoria, a prefeitura reafirmou o que já havia oferecido em dezembro do ano passado: continua disponível para fornecer passagens para quem deseja voltar para suas cidades de origem ou abrigo por 30 dias até que uma moradia seja encontrada.
Os abrigos oferecidos são na Unidade Central de Resgate Social e na Casa do Pobres São João Batista (este para famílias com crianças). Os sem-teto, porém, seguem sem aceitar a proposta.
Decisão judicial
A proposta faz parte de um despacho publicado em dezembro pelo desembargador Fernando Vidal de Oliveira, do Tribunal do Justiça do Paraná, determinando que o juiz responsável pela 4º Vara da Fazenda Pública tomasse medidas para resolver a situação dos moradores que estão vivendo na calçada da Rua Theodoro Locker. O despacho do desembargador determinou que as famílias recebam do governo municipal um atendimento adequado, garantindo novo abrigo ou passagens para que retornem aos antigos lares ou cidades de origem. Nos dois casos, os sem-teto devem retirados do local. A retirada das famílias depende de determinação judicial.


