Insatisfeitos com os poucos banhos de sol, um por semana, os detentos do 4º Distrito Policial de Londrina golpearam com socos e pontapés as grades das celas durante toda a manhã e começo da tarde, quando a delegacia foi invadida por 15 homens do Pelotão de Choque da Polícia Militar a pedido da Polícia Civil.
Para controlar o motim, os policiais usaram bombas de efeito moral. Um preso, identificado apenas como Antônio Francisco, saiu ferido do tumulto, com um corte abaixo do olho. Ele foi levado a um posto de saúde logo que a situação se acalmou e uma revista geral foi concluída. Até o final da tarde de ontem ele não havia voltado à cela e a PM não soube informar o que provocou o ferimento.
Segundo o delegado Joaquim Antonio de Melo, a revolta dos presos pode estar relacionada ao fracasso de um possível plano de fuga coletiva engendrado por um grupo de quatro ou cinco líderes (são 36 homens – 12 a mais que o indicado – em seis celas).
Na manhã de ontem, os policiais civis encontraram quatro pedaços de serra em um pote de mel entregue no distrito por um mototaxista. ‘‘Como há um certo espaço para ‘trabalharem’, eles serrariam as grades rapidamente durante a madrugada’’, acredita. Em relação aos banhos de sol, o delegado informou que são semanais por uma ‘‘questão de segurança’’.
O entregador disse que a encomenda era para Pedro Sérgio Rosa, 35 anos, preso há três semanas por receptação e que tem bom comportamento. ‘‘Provavelmente, este rapaz não tem nada a ver com estes objetos. Os verdadeiros responsáveis costumam pressionar um novato para assumir a culpa’’, explicou o delegado, que deve ouvir Pedro Sérgio hoje.
Melo disse que constantemente são encontrados brocas, estoques e maconha em vasilhas de alimentos. As fraudes estão se sofisticando, de acordo com o delegado. ‘‘Há casos de marmitas com fundo falso para esconder os objetos.’’
A aquisição de detector de metal diminuiria muito o risco da entrada de objetos, armas e drogas no distrito, na avaliação do delegado. A Folha apurou que apenas um dos seis distritos de Londrina possui o equipamento, que custa entre R$ 300 e 400,00, mesmo assim adquirido por recursos do próprio delegado.

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