JATAIZINHO - Uma nova denúncia de espancamento por soldados da Polícia Militar de Jataizinho (25 quilômetros a leste de Londrina) está sendo investigada pela Polícia Civil. O preso Clemílson Cândido, 20 anos, detido por ato obsceno desde o dia 3, denunciou ontem que os PMs João Cunha, Ademar Rodrigues e Sílvio Tavares de Lima, teriam batido nele com um remo, na noite de sábado para domingo, dentro da cadeia.
Os três PMs são os mesmos que foram acusados de espancar o trabalhador rural Claudionor Tenório, 23 anos, na mesma noite, como mostrou ontem a reportagem da Folha. Tenório relatou o caso durante sessão da Câmara de Vereadores, segunda-feira à noite. Ele disse que apanhou sem motivo e que os PMs afirmavam que ‘‘estavam com medo de maus elementos da cidade e que ele iria sentir o que era bom’’. Tenório mora embaixo da ponte do rio Tibagi.
O delegado de Jataizinho, Afranocles Cesar de Medeiros, disse que Clemilson fez exames de lesões corporais no Hospital São Camilo. Ele foi atendido pelos médicos Mário Sato e Antônio Yugiwara. ‘‘Isto consta em laudo. Clemilson levou somente uns tapas. O espancamento de maior gravidade foi o do Claudionor Tenório.’’
Clemilson está preso por ato obsceno cometido contra um garoto da cidade. Segundo a polícia, este menino seria filho de um policial de Jataizinho. O delegado Medeiros investiga os dois casos.
Tenório foi encaminhado ontem ao Instituto Médico-Legal (IML) de Cornélio Procópio, onde realizou exame de lesões. O resultado deve sair nos próximos dias. Clemílson foi ouvido ontem. Além de vítima, ele falou como testemunha do espancamento de Tenório.
O preso Cesar Aparecido Vieira, que teria presenciado as cenas de espancamento de Clemílson, também prestou depoimento. ‘‘Estamos buscando a verdade. O inquérito deve ficar pronto em 30 dias’’, disse Medeiros.
O 18º Batalhão da PM (Cornélio Procópio) abriu inquérito para apurar as duas denúncias de violência policial. O comandante do BPM, Newton Harry Brunnemann, tomou conhecimento das duas acusações de violência anteontem e determinou abertura de inquérito.
Esquecimento Jataizinho acumula outras denúncias de violência envolvendo policiais. Em agosto, o estudante Roberto Comazi, então com 16 anos, foi preso e espancado com remos numa cela para que confessasse a participação no furto de dois pneus de uma borracharia na BR-369.
O delegado Medeiros disse ontem que não existe nenhum registro da denúncia na delegacia e que não foi instaurado inquérito na época. ‘‘Verifiquei os arquivos e não encontrei nada a respeito, nem encaminhamento ao Fórum’’, informou.
O presidente do Conselho Tutelar de Jataizinho, Juraci Nunes do Espírito Santo, também não soube informar como estava o caso. ‘‘O delegado disse que iria terminar o processo e encaminhá-lo para o promotor público de Ura풒, comentou.

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